Os policiais rodoviários Florisvaldo de Jesus Spolador, Aluísio Martins Cardoso, Dirson Domingos Thomé, Sérgio Noveli e Cláudio da Cruz Oliveira foram indiciados ontem por lesão corporal seguida de morte, no inquérito civil que apura a morte do pastor José Idalécio Bueno. Ele morreu dia 9 de março, após ter sido espancado por policiais militares, segundo depoimento de testemunhas ouvidas pelo delegado Edmo Ermenegildo, que preside o inquérito policial. O pastor morreu dentro de uma viatura da PM.
Ontem pela manhã, os policiais rodoviários prestaram depoimentos, que duraram menos de 15 minutos cada um. Apenas ratificaram depoimentos prestados no 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM), no último dia 18. Eles negam ter participado de ato de violência contra o pastor. O inquérito policial militar (IPM), conforme informações do comando da PM, será divulgado no dia 17.
Anteontem o delegado Ermenegildo ouviu os policiais militares envolvidos na morte do pastor: o sargento Levi Teófilo e os soldados Antônio Marcos Pereira, Amilton Rodrigues dos Santos e João Reis. Eles afirmaram que o pastor foi detido porque dirigia embriagado e que tiveram de usar de força para colocá-lo na viatura, já que ele se negava a entrar. Os PMs também foram indiciados por lesão corporal seguida de morte.
O advogado de defesa dos policiais rodoviários, José Maria Brandão, afirma que eles não foram solicitados para dar apoio aos PMs durante a abordagem ao pastor, em um posto rodoviário da BR-369, onde ocorreu o incidente. ‘‘Eles apenas presenciaram, em parte, a prisão da vítima.’’ O delegado Ermenegildo informou que eles foram indiciados porque ‘‘ou participaram ou ficaram omissos. E a responsabilidade é a mesma’’.
Ermenegildo disse que os policiais não foram indiciados por homicídio porque ‘‘não tinham a intenção de matar Idalécio’’. Ele deve ouvir outras testemunhas antes de concluir o inquérito, na próxima quarta-feira. Testemunhas disseram que os policiais desferiram chutes no estômago e no tórax do pastor para obrigá-lo a entrar na viatura, bateram em sua perna e deram coronhadas em sua cabeça. Idalécio, conforme laudo do Instituto Médico Legal (IML), morreu asfixiado pelo próprio vômito. Ele foi levado ao Hospital Cristo Rei, em Ibiporã, onde chegou morto.
Advogados da família da vítima solicitaram exames de sanidadade mental nos policiais envolvidos, e exames nas roupas e no cadáver de José Idalécio. O delegado pediu, no último dia 21, parecer do IML sobre a viabilidade dos exames mas, segundo ele, ainda não houve resposta.
Segundo depoimento da viúva do pastor, Mara Bueno, ele teria levado um tapa do sargento Levi Teófilo. A agressão, segundo ela, aconteceu após o pastor parar o veículo a mando do sargento, na BR-369. Na sequência, teriam se envolvido os outros policiais.

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