Oito vagões, todos vazios, de um trem da Ferrovia Sul Atlântico saíram dos trilhos anteontem, por volta das 23 horas. A empresa ainda não sabe as causas do acidente e o prejuízo. Foi o segundo acidente em três dias e o quarto no mês de janeiro. Em nenhum deles houve feridos. O Sindicato dos Ferroviários acusa a Sul Atlântico de não investir na conservação dos trilhos. A empresa, porém, afirma ter feito todos os investimentos previstos no contrato de concessão, inclusive os de manutenção.
O trem ia de Guarapuava para Ponta Grossa. Descarrilou a 15 quilômetros do local onde se chocaram dois trens da mesma ferrovia na terça-feira, entre os municípios de Guaragi e Valinhos, nos Campos Gerais, a 40 quilômetros de Ponta Grossa.
O diretor do Sindicato dos Ferroviários do Paraná e Santa Catarina, Mário Marchesine, pretende fazer uma denúncia formal à Rede Ferroviária Federal, responsável pela fiscalização das condições das ferrovias. ‘‘É um absurdo o montante de acidentes’’, diz.
Segundo Marchesine, após obter o direito de operar na ferrovia, a Sul Atlântico demitiu funcionários qualificados que faziam a manutenção e terceirizou o serviço. Para ele, as empresas contratadas não possuem condições para realizar os trabalhos. ‘‘Há descaso sobre os cuidados com a via’’, afirmou.
A gerente de patrimônio da Sul Atlântico, Patricia Pugas, disse que a empresa recebeu a ferrovia deteriorada e discordou das críticas do diretor do sindicato. Para ela, as empresas contratadas são capacitadas. ‘‘Os planos de manutenção têm sido cumpridos com rigor’’, afirma. Segundo ela, a estrutura da empresa era pesada e foram necessárias as demissões. ‘‘Mas isso não comprometeu a operação’’.
Patricia acredita serem normais os acidentes em uma ferrovia de mais de seis quilômetros. Conforme ela, o índice de acidentes é menor do que o fixado pelas metas do contrato de concessão.

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