Além da degradação generalizada da Bacia do Ribeirão Apertados, cuja água é usada pela população de Arapongas, um outro manancial do Município está sob suspeita de contaminação. No último domingo, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) foi acionado para averiguar a mortandade de centenas de peixes no Córrego Nambú. Entre outras possibilidades, há a suspeita de envenenamento. A preocupação é grande porque o córrego é um afluente do Ribeirão Caviúna, que é usado no abastecimento de Apucarana e também tem ligação com o Pirapó, que abastece Maringá. Comunicado sobre o problema, o Ministério Público prometeu apurar os fatos.
  O fiscal do IAP, Andrew Pinheiro Neto, foi chamado pelo agricultor José Aparecido da Rosa, do Distrito de Aricanduva, que percebeu centenas de tilápias mortas no trecho do Nambú que corta sua propriedade. A primeira suspeita – descartada no local – foi que os peixes poderiam ter morrido em razão de uma variação brusca da temperatura da água. Análises sobre a demanda química da água e o nível de oxigenação também não indicaram nenhuma anormalidade.
  Em razão disso, a fiscalização do IAP coletou amostras da água e de peixes para analisar a toxicidade. ‘‘Faremos testes para venenos clorados e fosforados, porque nossa suspeita maior é esta’’, apontou Pinheiro Neto. Os exames estão sendo feitos em Curitiba e devem ficar prontos em alguns dias. ‘‘Eu acredito que possa haver alguma contaminação do lençol freático, mas não posso adiantar nada sem um laudo conclusivo. Na segunda-feira, deverá ser feita a coleta de lodo das lagoas na região para tentarmos avaliar melhor a situação’’, comentou o fiscal.
  Pinheiro Neto observou que a investigação precisa ser rigorosa. A situação requer urgência porque o manancial tem relação com o abastecimento de água em Apucarana e Maringá. ‘‘O tratamento convencional não elimina estes venenos e, por isso, temos que evidenciar tudo de forma concreta, sem irresponsabilidades’’, concluiu o fiscal.
  O advogado do agricultor, Júlio César Rodrigues, encaminhou um pedido formal de providências para o promotor de Defesa do Meio Ambiente de Arapongas, Élcio Sartori, e solicitou a abertura de procedimento para apuração dos fatos e responsabilização dos culpados.

mockup