OUTRO LADO - O Caminho do Colono e o Bug
OUTRO LADO
O Caminho do Colono e o Bug
Costuma-se dizer que no Brasil o povo é muito acomodado, que aceita tudo sem dizer nada. Historicamente não é bem assim e a exemplo dos outros povos latinos o brasileiro também já deu mostras da sua disposição de lutar por justiça. O que é certo é que, as vezes, nós brasileiros, não valorizamos a nossa história e deixamos fatos importantes no esquecimento. Para quem não conhece, a história do povo do Oeste e Sudoeste do Paraná também foi construída com muita luta e muito sangue, foi assim em 1957 com a luta dos colonos em Capanema e em 1962 com a revolta contra os jagunços em Jardinópolis (hoje Serranópolis do Iguaçu). Faço essa pequena lembrança para justificar porque considero o Caminho do Colono como mais um capítulo da saga do povo do Oeste e Sudoeste do Paraná.
Nos últimos anos temos dedicado parte de nosso tempo a luta pela regulamentação do Caminho do Colono, e nunca vimos tamanha mobilização em torno de um assunto como tem acontecido até agora. Quando reaberta pela população em maio de 97, as lideranças da região, através da Aipopec, publicaram documento sobre a importância da estrada nos aspectos ambiental, econômico e histórico, colocando-os para debate com a sociedade. Ninguém se apresentou para o debate e o que vimos foram tão somente ataques à população. Tentaram transformar o Caminho do Colono em algo parecido com o bug do milênio. Se não fosse fechado o mundo iria acabar. O Ibama se aliou a algumas entidades ambientais para agredir a população. Diziam que o movimento era politiqueiro, que não representava a população. Pois bem, já passamos por uma eleição e continuamos com o apoio de todos os segmentos políticos e da população. Diziam que a estrada iria acabar com o parque e, como o bug nada aconteceu. Por fim falaram que a estrada não tem mais valor econômico e os estudos já comprovam a sobrevida econômica dos municípios pós-abertura. Também tentaram negar o valor histórico e cultural da estrada e conseguiram ofender a memória da população.
Enquanto era agredida, a população usava e consolidava a estrada, se não da forma totalmente adequada mas pelo menos com o espírito e com a vontade de preservar o parque. Com o seu radicalismo, as entidades ambientais talvez perderam a oportunidade de uma parceria com a população. Não é possível imaginar a preservação do parque sem envolver a população e o Caminho do Colono é o fator de motivação para isso. O grande problema de alguns ambientalistas (respeitamos o movimento ambiental sério) é achar que são seres iluminados e que somente eles tem o dom da preservação. Para eles, a experiência e a vontade do povo não contam. Além de usar adequadamente o seu caminho, a população também tem o mérito de colocar o assunto em evidência, porque até então e para muitos, o Parque Nacional do Iguaçu era apenas a região das Cataratas em Foz do Iguaçu.
O Caminho do Colono está aberto e assim vai ficar. O papel da Aipopec agora não é mais reabrir, mas sim regulamentar a estrada e fazer dela um grande instrumento de preservação do parque e de melhoria na qualidade de vida na região. Poderá demorar, mas o tempo fará perceber, como o bug dos computadores, que o Caminho do Colono não é o mal do mundo.
Carlos Carboni é vice-prefeito de Capanema e presidente da Aipopec





