Correr atrás do filho, jogá-lo para o alto e segurá-lo em um abraço, escutar sua voz e chamá-lo pelo nome. Comportamentos comuns que aproximam pais e filhos, mas que são difíceis ou até impossíveis para as pessoas com deficiência.
Nesses casos, surge nos pais deficientes a preocupação em compensar o que não podem fazer pelos filhos. É o que explica a psicóloga Beatriz Rockenback Melo, que orienta a superação desse sentimento através da descoberta de outras formas de carinho, naturais na maternidade e na paternidade.
Uma manifestação que muitas vezes não é percebida, mas acontece naturalmente, é o incentivo no olhar. Beatriz aponta esse carinho como uma fronteira psíquica, uma proteção maior que os braços e pernas possam alcançar. ''Quando o filho entende no olhar dos pais uma aprovação, automaticamente cresce a sua autoconfiança, podendo alcançar objetivos ou se proteger de problemas''.
Para os filhos, um obstáculo a ser superado é a exposição da deficiência dos pais. A psicóloga explica que o sentimento de vergonha, que pode acontecer, se dá pela indiscrição das pessoas. ''O comum é que os filhos sintam vergonha da diferença e não dos pais deficientes. Uma solução para esses momentos é pensar na intenção do olhar das pessoas, que pode estar relacionada a outros sentimentos, como admiração, identificação, etc''. (B.M.)

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