Outra empresa interditada em Curitiba
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de julho de 1998
Andrea Vendramini 
A Vigilância Sanitária Municipal autuou e interditou, ontem à tarde, mais uma empresa de Curitiba por armazenar e distribuir medicamentos de forma irregular. Depois de uma denúncia anônima, feita nesta semana, um depósito clandestino de medicamentos foi descoberto na Joãomed Comércio de Materiais Cirúrgicos, na Vila Fanny, empresa que atua há 14 anos no mercado e que tem licença para vender no varejo e estocar apenas produtos odontológicos e hospitalares.
No local foram encontrados medicamentos vencidos, produtos fabricados por empresas irregulares junto ao Ministério da Saúde, armazenados inadequadamente e de procedência desconhecida. A delegada Soraia Mendes da Silva, da Delegacia de Crimes Contra o Consumidor (Delcon), lavrou o flagrante e pediu a prisão preventiva do proprietário da Joãomed, Gersino Elias Gesselle. Esta foi a terceira empresa do setor fechada na capital neste mês.
Outros cinco barracões pertencentes a Gessele, todos na Vila Fanny, foram interditados no dia 1º deste mês porque também estavam em situação irregular. Segundo a delegada Soraia Silva, Gesselle responderá a inquérito também por não estar no local na hora da fiscalização, quando seria preso. Sua filha, Katty Gesselle, que se apresentou como responsável pela empresa, foi levada à Delcon para prestar esclarecimentos e liberada em seguida.
A farmacêutica da Vigilância Sanitária, Yumie Murakami, explicou que a Joãomed foi autuada por não ter alvará e nem licença sanitária para funcionamento do depósito e por apresentar precárias condições de higiene. Encontramos paredes rachadas e com bolor, caixas avariadas e muita desorganização, disse. Segundo Yumie, a empresa foi lacrada ontem, mas técnicos da Vigilância voltarão ao local para fazer um levantamento do estoque e verificar a quantidade de produtos com problemas e que estão impróprios para consumo.
A Joãomed é suspeita ainda de reembalar produtos - como a fita hipoalergênica para curativos Nichipore - sem autorização. No local foram encontrados adesivos de códigos de barras e uma máquina usada no processo. Um dos problemas da reembalagem é a possibilidade de alterar a data de validade de produto.
A empresa será investigada também pela Receita Estadual. Segundo o fiscal Clésio Barbosa, que participou da blitz, será feito um levantamento no local para verificar se o estoque físico corresponde às notas fiscais de compra e venda de produtos e a legalidade da importação de vários itens.


