A falta de chuvas neste final de verão pode significar que as próximas estações também sofrerão com o tempo seco. ''Não podemos dizer como certeza, mas se a anomalia negativa do Oceano Atlântico se manter, tudo aponta para um tempo seco'', afirma o geógrafo e doutor em Ciência Ambiental, Geraldo Terceiro Correa.
As anomalias citadas por Correa são, na verdade, o aquecimento de uma massa de ar fria. ''Desde 1999, a região Sul passa por estiagens. Não podemos afirmar os motivos, mas sabemos que uma mudança na circulação das massas de ar na atmosfera pode ter causado a redução de precipitações'', explica. O geógrafo conta que no começo de 2005 esperava-se que este ano se repetisse o fenômeno El Ninõ, caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico. Porém, de acordo com Correa, o fênomeno perdeu força ao longo de janeiro.
A diminuição da frequência de chuvas e de seu volume podem significar, a longo prazo, uma mudança de todas as características climáticas das regiões subtropicais. ''As previsões de estiagem no verão para a região Sul são de, no máximo, 25 dias. Mas, há cidades no Rio Grande do Sul onde não chove há mais de 60 dias'', relembra o geógrafo. Se as anomalias do Atlântico persistirem, as próximas estações poderão ter grandes queimadas e chuva abaixo do normal.
Questionado se estas anomalias poderiam ser causadas pela ação do homem na natureza, Correa insiste em dizer que não há comprovação. ''Estas massas estão em uma atmosfera mais distante. O homem interfere na ação dos ventos, mas a ciência ainda não conhece todos os elementos atmosféricos.'' O geógrafo adianta que se as anomalias continuarem pode ser que os mananciais fiquem bem abaixo do normal.
Já o engenheiro Roberto Fendrich, doutor em Geologia Ambiental e professor de Engenharia de Recursos Hídricos da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, explica que a falta de chuva é resultado da associação de fatores naturais com a ação do homem. De acordo com o professor, a falta de umidade do ar e a ausência de frentes frias passando pelo Sul ficam mais complicadas com o aumento do desmatamento e da poluição.
Contudo, Fendrich também concorda que poderemos ter problemas de estiagem se o clima não mudar. ''Para que o solo fique molhado e os reservatórios cheios, é preciso uma chuva regular e não concentrada'', esclarece Fendrich. E a concentração é justamente o que está acontecendo. A pouca chuva que caiu em janeiro se concentrou em cinco dias e, em fevereiro ela se distribuiu em apenas quatro dias.

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