"Mesmo apreciando mais o calor do que o frio, a estação está puxada", afirma Inez Moraes
"Mesmo apreciando mais o calor do que o frio, a estação está puxada", afirma Inez Moraes | Foto: Ricardo Chicarelli



O outono completou no dia 20 abril seu primeiro mês. Período que marca a transição entre o verão e o inverno, a estação de 2018 tem sido marcada, neste início, pelo calor e estiagem no Norte do Paraná. Historicamente considerado pelos acumulados de chuvas que começam a diminuir, o outono está com precipitações abaixo do esperado, de acordo com o Simepar - Sistema Meteorológico do Paraná. Até o final da terceira semana do mês foram 9.2 milímetros de chuva em abril. A média é de 112 milímetros.

"Este é um mês que estamos tendo uma grande amplitude térmica, com temperaturas mínimas mais baixas pela manhã e que vai se elevando no transcorrer do dia, com a presença do sol. Esta mudança será gradativa a partir do momento que vai aproximando do inverno", destaca a meteorologista do Simepar, Ângela Beatriz Costa. "Historicamente, os meses de abril e junho são aqueles que menos chove. Porém, o abril deste ano está sendo incomum", completa. A mínima tem chegado a 15º graus e a máxima a 33º graus.

Apesar de uma frente fria estar atuando nos demais estados do Sul, Londrina e região só têm previsão de chuva para o dia 7 de maio. "Esta frente fria não consegue romper o bloqueio que existe sobre o Paraná. Este sistema está saindo para o oceano e não tem condição de formar nível de chuva suficiente para nossa região", explicou. A última chuva na cidade foi registrada no fim da primeira quinzena de abril e de forma isolada, em pouca quantidade.

CONTRASTE
Quem está sentido o forte calor e se protegendo de várias formas é a pedagoga aposentada Inez Moraes. Além do protetor solar, ela sempre leva uma sombrinha quando precisa ir ao centro ou outro local que necessite andar embaixo do sol. "O verão deste ano foi bom e gostei bastante. Já o outono está bem diferente. Mesmo apreciando mais o calor do que o frio, a estação está 'puxada' no tempo quente. Assim, minha 'sombrinha' é minha companheira", contou, enquanto caminhava pelo Calçadão.

No centro da cidade, as vitrines com roupas de manga longa contrastam com os populares que buscam uma sombra e tampam o rosto contra o sol com qualquer objeto que tenham em mãos. Alguns encontram refresco no sorvete ou açaí. "Está muito calor, nem parece que estamos no outono. Não sou de ficar usando protetor solar, mas se continuar assim, iriei comprar um. O jeito também é tomar muita água", relatou o motorista Onivaldo Oliveira.

BAIXA UMIDADE
Sem chuva, a consequência é a baixa umidade do ar. No domingo (22), a umidade chegou a 37% em Londrina. O recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) é a partir de 60%. Neste outono, a média tem ficado entre 30% e 40%, números classificados pela agência especializada em saúde como estado de observação. "As pessoas devem evitar a exposição ao sol e exercícios físicos entre 10h e 16h, para impedir até mesmo o ressecamento da pele, e usar protetor solar. Além disso, este clima aumenta o risco de incêndios", indica a meteorologista Ângela Beatriz Costa.

Nas residências, uma opção é colocar toalhas molhadas nos cômodos. "Minha filha tem doença respiratória e quando está calor e tempo seco ela passa muito mal. Também uso balde cheio d'água e umidificador para ajudar. Ultimamente tenho notado que os períodos de estiagem e tempo seco vêm sendo cada vez maiores", analisou Alexandra Medeiros, na companhia da filha, Renata Medeiros, 11, que tem bronquite.

Outra dica é beber muita água, pois ela ajuda na hidratação das mucosas, pele, boca e facilita a respiração. Evitar alimentos gordurosos também pode colaborar.

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