Otimismo ajuda a superar problemas
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terça-feira, 18 de agosto de 2009
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Representante de atendimento de uma empresa de telefonia móvel, Renan Prado Rodrigues, 19 anos, jamais fica nervoso com as ligações nem sempre educadas dos usuários. No relacionamento com a namorada, tem certeza absoluta que as brigas acontecem em menor intensidade que a maioria dos casais. Entre a família, é a referência quando os irmãos precisam de conselhos otimistas. Tranquilo, bem humorado e assertivo, tem até um método científico para solucionar os problemas que poderiam lhe tirar o humor.
Eu analiso a dificuldade pelos lados pessimista, realista e positivo. Pelo lado realista, sei que tenho 50% de chances de conseguir. Foco, então, no lado positivo e aumento as chances para 90%. É a teoria do dar certo, brinca ele, que faz do bom humor o principal aliado para levar a vida de forma mais leve.
Renan, como qualquer outra pessoa, tem problemas e dificuldades. A diferença é que encara as pequenas batalhas diárias com serenidade, paciência e otimismo, o que ajuda a superá-las. A falta de paciência é que gera o mau humor, sentencia.
A vida da merendeira Marlene Peres Lajarin Carneiro deu uma reviravolta quando ela tinha apenas 16 anos. Adolescente que estudava e divertia-se como qualquer outra na pequena cidade do interior do Paraná onde foi criada, perdeu a mãe e, de uma hora para outra, viu-se responsável pelos sete irmãos mais novos, entre eles um bebê de 49 dias. Tive uma infância pobre e, quando as condições financeiras começaram a melhorar, minha mãe morreu. Entrei em desespero com meu irmão mais novo no colo. Depois disso, soube que teria de reagir, conta.
Desde então, Marlene tenta viver a vida com bom humor. É claro que tenho problemas, mas não sou do tipo que vive reclamando, diz ela, que acorda sorridente e é sempre lembrada como uma pessoa que está sempre alegre. Depois de tudo o que aconteceu, passei a dar valor às pequenas coisas. Também passei a ver menos dificuldade nas coisas.
O irmão mais novo, Vagner, virou filho mais velho e foi morar com a merendeira assim que ela casou, quatro anos depois da tragédia. Ele é dono de uma pizzaria e já me deu duas netas que são a minha alegria, revela.
A frustração por ter parado os estudos para ajudar o pai a criar os irmãos foi recompensada pelo bom desempenho escolar dos dois filhos que teve com o marido. O mais jovem, Gustavo, acabou de se formar em Engenharia Elétrica. O mais velho, Renato, formou-se em Química, fez mestrado em Barcelona, na Espanha, e agora cursa o doutorado na Unicamp, em Campinas. Há 15 anos, ela encontrou também realização profissional na função de merendeira. Adoro crianças e gosto muito de cozinhar. Esse é o trabalho perfeito para mim.
A costureira Daniele Lira, 31 anos, é sempre lembrada pelos amigos e familiares como a pessoa que dá risada mesmo nos momentos mais tensos. Mãe de João Vitor, um garoto hiperativo, ela conta que acostumou-se a lidar com as adversidades impostas pela personalidade agitada do garoto, que faz tratamento para o problema. Vivo recebendo telefonemas da escola, reclamações porque ele briga na rua... Tive que me acostumar com as artes e continuar vivendo. A vida é muito curta para ficar sofrendo.
Dani, como é chamada, conta que chega a incomodar as pessoas mais ranzinzas com seu bom humor. Tem gente que não gosta desse meu jeito brincalhão, diz ela, que tenta não se preocupar com coisas pequenas. Se for me preocupar com tudo, não vivo. Se chorar resolvesse problemas, com certeza eu choraria.


