Ostomizados têm atendimento em casa
Luciane Tonon
Pacientes ostomizados (que possuem abertura abdominal, muitas vezes permanente, para a saída de fezes e urina, coletadas através de bolsa plástica), têm, a partir de agora, condições para uma vida próxima ao normal. É que Londrina conta com o Programa de Identificação de Ostomizados - PIO, criado pela empresa Conva Tec, para orientar e auxiliar os usuários, no processo de adaptação das bolsas, através de visita domiciliar, gratuita ao paciente.
A enfermeira Margarete de Araújo Andrade, é responsável pelo atendimento domiciliar em Londrina. Segundo ela, desde que o PIO foi implantado no município, 35 pacientes já foram visitados. Nós procuramos trabalhar com a família e a própria adaptação do paciente, porque existe um grande preconceito de quem usa as bolsas. A maioria pensa que não vai ser aceita na vida social, disse Margarete.
Ela informou ainda que no Brasil, cerca de 80 mil pessoas, entre adultos e crianças, são ostomizadas e somente 27 mil, assistidos. A maioria é decorrente de doenças como câncer de intestino, má formação congênita ou acidentes. O maior obstáculo a ser superado é a desinformação, ressaltou a enfermeira. Com a falta de estrutura do sistema de saúde, esclarece Margarete, os ostomizados, muitas vezes, convivem com o problema sem qualquer tipo de assistência por falta de conhecimento e vergonha. Estima-se que cerca de 45 mil ostomizados convivem com o problema sem um tratamento adequado.
Anderson Paiva da Conceição, 35 anos, sofreu acidente no trabalho e ficou com lesão medular. Ele tem incontinência intestinal e resolveu se identificar no PIO. Depois da orientação, deixei de incomodar tanto a minha família. Eu mesmo faço a manipulação. Fiquei bem mais independente e procuro levar uma vida social normal, disse. Para sua família, as bolsas são uma tranquilidade. Quando soube que ele iria usar, chorei, mas hoje agradeço ao projeto, que ajudou muito na adaptação dele a esta nova vida, comentou Jane Luci da Rosa Conceição, esposa de Anderson.
Grande parte dos ostomizados faz uso incorreto das bolsas, causando cheiro desagradável e incômodo aos usuários. Com o uso correto, uma bolsa dura de quatro a seis dias. Já sem a devida orientação, o paciente gasta uma bolsa ao dia, explicou Margarete. Cada bolsa custa em média de R$ 6,00. Em Londrina, elas podem ser conseguidas no Hospital das Clínicas, desde que o PIO seja acionado pelo telefone 0800115115. A ligação é gratuita.





