Ostomizados sofrem com falhas da prefeitura
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segunda-feira, 16 de maio de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Depender de sondas para drenagem de fezes e urina já é uma rotina bastante complicada na vida de qualquer pessoa. Imagine, então, depender do Poder Público para adquirir o material necessário, receber produtos de baixa qualidade ou, pior, simplesmente não receber.
É o drama de Gabriela, de apenas três anos de idade, e de outros 233 pacientes ostomizados de Londrina e região, que precisam usar as chamadas ''bolsas de colostomia'' em decorrência de cirurgias ou outros procedimentos terapêuticos. A menina, que depende do acessório desde que nasceu, conta com doações e com a luta diária da mãe, a dona-de-casa Edna Heloisa Pereira Niza, 38 anos, para tentar viver normalmente. Há dois meses faltam bolsas de colostomia infantis na Secretaria Municipal de Saúde, responsável pela aquisição do material.
''É absurdo. Estou perdendo tempo, dinheiro, desgastando a minha filha, para correr atrás de algo que a prefeitura tinha a obrigação de fornecer'', protesta Edna, que tem peregrinado por órgãos públicos para exigir o cumprimento de seus direitos. Nos dois últimos meses, das 120 bolsas de que Gabriela necessitava, a mãe só ganhou 30 do Município. ''Isso porque eu cansei de reclamar na Ouvidoria. O restante eu comprei sozinha ou por meio de doações'', ressaltou. Ela já acumula dívidas decorrentes da aquisição do produto em lojas especializadas. Se tivesse que arcar com todo o custo, gastaria mais de R$ 1 mil por mês.
Não bastasse a falta do material, Gabriela sofre com a baixa qualidade das unidades fornecidas pela secretaria. ''As bolsas são péssimas. Causam dermatite, estouram facilmente e deixam cheiro de fezes o dia inteiro'', denunciou a dona-de-casa. A reclamação dela não é isolada. ''Sou obrigado a carregar material extra dentro da bolsa para trocar na rua, porque a bolsa vive estourando. Um dia tive que colá-la com esparadrapo'', reclama o aposentado Aparecido Cocato, 61 anos, ostomizado há oito anos.
De acordo com o presidente do Núcleo de Londrina da Associação Paranaense de Ostomizados, Robson Oliveira Lima, 34 anos, todos os pacientes têm problemas com o material em Londrina. ''É constrangedor. Você vai num restaurante e as pessoas se incomodam com o cheiro. Estamos sendo discriminados'', afirma. Lima diz que as dificuldades começaram em fevereiro do ano passado, quando a responsabilidade pela aquisição das bolsas passou do Estado para o Município.
''Desde então a qualidade caiu e já passamos vários períodos com falta de material. A maioria dos pacientes é carente e não pode comprar as bolsas'', assinala. Foi o acúmulo de problemas que levou os ostomizados a criar um núcleo local da associação, oficializado ontem em reunião no Hospital Universitário (HU) de Londrina. Com representantes no próprio município, os associados pretendem agora reivindicar seus direitos diretamente na Secretaria de Saúde. Segundo Lima, uma reunião com autoridades do Município está pré-agendada para sexta-feira.


