Maigue Gueths
De Curitiba
Fazer uma dieta rica em cálcio para garantir a boa saúde dos ossos, através do consumo diário de leite e seus derivados, tomar sol e fazer exercícios físicos. Estes são os principais conselhos médicos para a prevenção da osteoporose, uma doença degenerativa, que leva à falta de cálcio nos ossos, tornando-os frágeis, podendo quebrar-se facilmente. O alerta, feito ontem em todo País por ocasião do Dia Nacional contra a Osteoporose deve ser especialmente ampliado em Curitiba, uma das cidades de maior incidência da doença. Pesquisa feita em 1992 junto a 500 domicílios em Curitiba com mulheres após a menopausa mostrou que a osteoporose na capital curitibana é bem maior do que em outras cidades, como Campinas (SP), Natal (RN) ou Goiânia (GO), por exemplo.
Essa maior incidência em Curitiba, segundo o médico Sebastião Cezar Radominski, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Reumatologia e consultor do Ministério da Saúde para doenças crônico-degenerativas, acontece em função da grande população de descendência européia e de pele clara e da baixa incidência de sol na capital, dois fatores importantes no desenvolvimento da osteoporose. A doença tem maior incidêncis em mulheres após a menopausa, em pessoas brancas e descendentes de asiáticos (japoneses e chineses), e em quem tem uma dieta baixa em cálcio, vida sedentária e baixa produção de vitamina D, que é estimulada com exposição ao sol. Pessoas com histórico de osteoporose na família também têm maior predisposição à doença.
Não há estatísticas sobre a incidência da osteoporose no Brasil, mas é certo que a doença ataca principalmente as mulheres, pois além de terem os ossos mais finos, têm a produção do hormônio estrógeno diminuída após a menopausa. Estudos mostram que nos Estados Unidos, 30 milhões de pessoas têm a doença, sendo 80% mulheres. Do total, 2 milhões são homens. Este contingente de pessoas faz, por ano, 1,5 milhão de fraturas, o que resulta em gastos na ordem de US$ 14 bilhões ao estado em tratamento médico.
A osteoporose é uma doença silenciosa, não causa dor, e é detectada normalmente só após uma queda com fratura óssea. Mas a sua frequência é grande: uma em cada três mulheres após os 50 anos de idade desenvolvem a doença. E suas consequências também são desastrosas, pois 50% dos portadores de osteoporose vítimas de fraturas acabam tendo sequelas para o resto da vida. ‘‘O problema da osteoporose é que ela compromete em muito a qualidade de vida das pessoas’’, diz o médico, lembrando que 20% das pessoas morrem um ano após sofrer fratura, seja no momento da cirurgia, por pneumonia ou outras complicações futuras, e 50% fica com algum grau de incapacidade posteriormente.

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