Marcos NegriniO coveiro Reginaldo aponta para a cova onde foi enterrado Maximiano Gomes da SilvaA descoberta de uma ossada virada de bruços no cemitério municipal de Sarandi (a 7 quilômetros de Maringá) está despertando a curiosidade e a superstição dos moradores, criando um clima de mistério na cidade. Dezenas de pessoas foram ontem até o cemitério só para ver a cova, aberta para a retirada dos restos mortais de Maximiano Gomes da Silva, enterrado há 16 anos.
O cemitério municipal está sendo desativado. Os restos mortais, com o acompanhamento das famílias, estão sendo transferidos para o novo cemitério, distante três quilômetros do centro. As famílias têm até o final do ano para transferir os corpos recém-enterrados e ossadas.
Na última quarta-feira, às 10 horas, o filho de Maximiano, Orlando Gomes da Silva, evangélico, foi ao cemitério acompanhar a retirada do corpo do pai, morto aos 45 anos, da cova de um metro de profundidade onde havia sido enterrado. Segundo o coveiro Reginaldo Vieira Matos, 54 anos, havia no local apenas uma velha cruz e raízes de uma sibipiruna que cresceu no cemitério. Para chegar ao corpo, Reginaldo teve que cortar as raízes da árvore.
O caixão, conta o coveiro, já estava podre, mas quase inteiro. Os ossos, cobertos por um pano de linho, mostravam que o homem foi enterrado de bruços, com a barriga para baixo. ‘‘Deu para ver isso pela posição da espinha dorsal, do crânio e dos ossos das pernas e braços. O filho não se assustou, aparentemente, mas ficou mudo’’.
O cemitério velho tem 1 alqueire e 1.136 sepulturas - já está superlotado. O novo tem 5 alqueires. A prefeitura está gastando R$ 30 mil para fazer a transferência dos restos mortais sem custo para as famílias.
As visitas à cova de Maximiano começaram na manhã de ontem. Homens, mulheres e crianças ficam à beira do buraco comentando as supostas razões que teriam feito o corpo virar.
‘‘Tenho certeza de que ele foi enterrado vivo e se virou dentro do caixão quando acordou e morreu asfixiado’’, afirmou a dona-de-casa Santina Carvalho de Souza, 45 anos, vizinha do cemitério. ‘‘Isso é coisa do capeta’’, disse João Augusto dos Anjos, 67 anos, aposentado. Segundo o atestado de óbito de Maximiliano, ele morreu de parada cárdio-respiratória.
O médico-legista de Maringá Aldo Pezarini diz que não existem elementos suficientes para avaliar se pode ter ocorrido uma catalepsia (ataque que provoca rigidez muscular e perda de sensibilidade corporal). Se ele tivesse sido enterrado há dois ou três meses, uma exumação poderia dizer se houve mesmo a catalepsia, segundo o médico.
Legistas afirmam que a própria pressão da terra pode ter virado o corpo de bruços. Outra hipótese é que o corpo tenha sido virado no momento em que o caixão foi colocado na cova.

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