Ossada pode ser de menina de Florestópolis
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de julho de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A ossada encontrada anteontem em Ibiporã (14 km a leste de Londrina) pode pertencer a uma criança de até 10 anos de idade. A informação é do diretor administrativo do Instituto Médico Legal (IML), Fernando Piccinin, com base em um pré-exame. A estimativa reforça a hipótese de que os ossos possam ser de Luana Oliveira Lopes, 8 anos, sequestrada em Florestópolis (73 km ao norte de Londrina) em novembro de 2003.
Os restos mortais foram achados por funcionários de uma empresa terceirizada, quando faziam roçagem em uma subestação da Copel na tarde de quarta-feira. Segundo Piccinin, apenas algumas partes do esqueleto infantil foram descobertas - não havia crânio, nem mandíbulas. A primeira avaliação da polícia técnica no local é de que a vítima teria até seis anos, devido ao tamanho. Agora, com a margem de idade já estendida, o IML pede que todas as famílias que tenham crianças de até 10 anos desaparecidas procurem o órgão.
''Além dos ossos, temos dois elementos dentários. Só poderemos definir sexo, cor, características físicas e a data da morte com o laudo final dos exames, que deve ficar pronto em dez dias'', afirmou. Segundo o diretor do IML, será quase impossível determinar a causa da morte somente com o material encontrado.
O delegado de Ibiporã, Marcos Belinati, disse que já instaurou inquérito para apurar o fato. Ele deverá ouvir os trabalhadores que encontraram a ossada, mas acredita que os depoimentos não devem ajudar muito na elucidação do crime. ''Os funcionários já disseram que estavam passando o trator no terreno, quando perceberam ossos voando e interromperam o serviço. Os ossos estavam a cerca de três metros do muro, o que pode indicar que alguém os jogou de fora'', explicou.
Segundo o delegado, o terreno é grande e protegido por muros altos com arame farpado. Como há cabos de alta tensão no local, o acesso é bastante restrito. A última roçagem teria sido feita há mais de um ano. Belinati não acredita que os ossos tenham sido furtados de algum cemitério, porque não tinham vestígios de ter ficado enterrados.
A delegada do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), Márcia Tavares, soube do fato pela reportagem ontem de manhã e logo recordou o caso Luana. ''É uma possibilidade, devido à localização e à idade estimada, mas vamos procurar todos os registros de crianças desaparecidas na região norte'', assinalou. Ela acredita que será necessário enviar amostra do material encontrado para Curitiba, onde a polícia científica fará exame de DNA. ''Deveremos chamar os possíveis pais dessa criança, de acordo com nosso cadastro, para comparar os materiais genéticos'', acrescentou.
No final do ano passado, o governo do Paraná fechou convênio com a Universidade de São Paulo (USP) para montar um banco de DNA alimentado com material biológico de todos os pais de crianças desaparecidas no Estado. De acordo com Márcia, a verba para o projeto já foi liberada, mas ainda há questões burocráticas a resolver.


