Andar pelas ruas e avenidas de Londrina já não é uma tarefa fácil para os motoristas em virtude do aumento diário do número de carros, congestionamentos e acidentes. Os londrinenses enfrentam ainda mais um obstáculo, que é a variação dos limites máximos de velocidade nas vias. A reportagem da FOLHA percorreu várias avenidas e constatou diversos limites em uma mesma via, falta de sinalização e muitas dúvidas por parte dos motoristas para saber qual o limite permitido e assim evitar multas.
A Avenida Tiradentes é o maior exemplo desta variação. Ao longo da via pode-se encontrar até quatro velocidades máximas: 40, 50, 60 e 70 km/hora. Na maioria dos locais onde há a mudança existe sinalização, mas isso não impede a confusão por parte do motorista. ''Tem lugar que é difícil saber qual a velocidade permitida. A gente fica meio perdido e o jeito é andar bem devagar mesmo para não correr o risco de ser multado'', relatou o feirante Nelson Araújo Bueno.
O Código Brasileiro de Trânsito leva em conta a função hierárquica para determinar se uma via é local, coletora, arterial ou de trânsito rápido e ainda a característica geométrica, que determina a velocidade de acordo com o número de pistas, largura e fluxo de veículos na via. ''Nas vias locais, que são as dos bairros, a velocidade é de 30km/h, as coletores, do quadrilátero central, por exemplo, é de 40 km/h, as arteriais, que são as avenidas de pista dupla com canteiro central, a máxima é de 60 km/h, e as de trânsito rápido é de 70 km/h'', explicou Cristiane Biazono Dutra, gerente de Trânsito do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Londrina (Ippul).
Confusão maior mesmo causa a Avenida Dez de Dezembro. A Via Expressa tem trechos onde a velocidade máxima permitida varia entre 60 e 70 km/hora. A parte mais complicada fica próxima ao 4º Distrito Policial. Para quem vai no sentido Centro-Zona Sul, a máxima é de 70 km/hora; no sentido oposto pode-se andar até a 60 km/hora. ''Na Expressa é complicado mesmo dirigir em virtude das várias velocidades permitidas. Eu mesmo já fui multado lá por não saber até qual velocidade poderia andar. Evito trafegar por ela'', explicou Marcos Antiveros Teodoro, que trabalha como supervisor de Logística. ''A diminuição para 60 km/h neste trecho da Dez de Dezembro é em virtude de uma passagem de pedestre'', esclarece Cristiane Dutra.
O trecho da Via Expressa entre a Rodoviária e o 4º DP é o único de Londrina onde é permitido uma velocidade de 70 km/h, já que não há passagens em nível. Já o trecho da Avenida Tiradentes onde é permitido andar a esta velocidade, a partir do viaduto da BR-369, já está fora do perímetro urbano e é considerado rodovia. Pesquisas mostram que nas cidades brasileiras o número de vias de trânsito rápido não passa de 1% do número total de ruas.
Zona Norte
Na Zona Norte, a Avenida Winston Churchill começa com limite máximo de 50 km/hora, passa para 30 km/hora na altura do Parque Ouro Verde, onde há um grande trecho em declive. No sentido Centro da cidade, próximo ao Autódromo Ayrton Senna, o limite máximo é de 40 km/hora. Na Avenida Leste-Oeste, o trecho entre a rotatória da Rodoviária e o cruzamento com a Rio Branco a máxima permitida é de 50 km/hora. A partir deste ponto a via fica mais larga e com menos passagens em nível e a velocidade sobe para 60 km/hora.
Quem conhece bem estas mudanças de velocidades em uma mesma via é o taxista Angelo Valentim, que há 12 anos trabalha pelas ruas de Londrina. ''Eu já levei duas multas em uma avenida que tinha diferentes limites de velocidade'', conta. E acrescenta: ''a gente é obrigado a aprender a andar diante desta situação. Fico atento para andar sempre devagar até porque o carro e a minha carteira são as minhas ferramentas de trabalho e não posso correr o risco de perdê-los'', orgulha-se Valentim, que garante só ter levado três multas ao longo da profissão.
Com tantas mudanças de velocidade, uma sinalização eficaz é fundamental, mas nem sempre isso acontece. Quem trafega pela Avenida JK saindo da Avenida Santos Dumont vai encontrar uma placa sinalizando a velocidade máxima de 50 km/hora somente na altura do cruzamento com a Rua São Francisco de Assis, próximo à rotatória da Avenida Higienópolis. Já na Henrique Mansano (Zona Norte), não há nenhuma placa informando a velocidade permitida nos dois quilômetros da avenida que passa em frente ao Estádio do Café.
Avenidas como a Santos Dumont, JK, Duque de Caxias, Rio Branco, Francisco Gabriel Arruda, Higienópolis, Madre Leônia Milito, Inglaterra e Adhemar Pereira de Barros são consideradas arteriais e por isso é mantida a velocidade máxima de 50 km/h por toda a extensão. ''O Código de Trânsito permite que nestas vias a velocidade máxima seja menor do que 60 km/h dependendo do fluxo de veículos e dos cruzamentos'', ressalta a gerente do Ippul.
Em julho, a equipe da Folha fez este levantamento nos trechos urbanos da BR-369 e PR-445 e constatou o mesmo problema.

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