Os segredos de quem casou há 60 anos
O matrimônio como compromisso eterno. Foi partindo desse preceito que Olga Meire Gomes, 73 anos, e José Guilhen Gomes, 83, completaram nos últimos meses Bodas de Diamante. As seis décadas dividindo alegrias, tristezas, conquistas e perdas presentearam o simpático casal com três filhos, que lhes deram oito netos e seis bisnetos.
''É preciso ter muita paciência e carinho um com o outro. Tem que ter diálogo, pois com o tempo as coisas ficam mais difíceis'', conta José. Quando se casaram, em 1950, relacionar-se era bem mais simples, segundo Olga. ''Naquela época, o casal sonhava em construir uma vida junto, diferente de hoje. Era mais fácil manter um casamento. As coisas eram diferentes, casava-se por amor. Hoje os casais brigam e terminam por qualquer motivo'', diz ela.
E quando indagados sobre o segredo de um relacionamento tão duradouro, ambos têm a resposta na ponta da língua. ''Precisa haver muito amor para enfrentar as dificuldades'', diz Gomes. ''Tem que ter muita compreensão um com o outro para não haver desencontros. Nós brigamos sim, mas com muita conversa nos entendemos. Quando estou brava ele fica no canto dele ou sai para dar uma volta. Precisa ter paciência'', completa Olga.
Um grande amor e muito respeito também é a receita de outro casal que acaba de comemorar seis décadas de vida em comum: Orlanda Amado Gatto, 80, e Vicente Gatto, 82. O longo casamento é resultado de outro ''milagre'' realizado diariamente: a ausência de brigas entre eles. ''A gente sempre sabe o que o outro está fazendo, e tomamos as decisões juntos, respeitando a opinião do outro'', revela ela.
Ex-trabalhadores rurais, Orlanda e Vicente fizeram das dificuldades da vida sem luxo um ingrediente a mais da necessária cumplicidade. ''Estamos na luta até hoje, mas estamos juntos'', orgulham-se, enquanto, num gesto involuntário, tocam-se pelas mãos. Ela diz que nunca pensou em traí-lo, nem em pensamento. Ele diz que ela nunca lhe deu desgosto. E assim, relevando pequenos defeitos do outro e se pautando pela tolerância, o casal comemorou as bodas que são cada vez mais raras. (E.S. e S.L.)





