Os riscos de educar com compensações
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domingo, 10 de abril de 2011
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Assistir televisão até tarde, depois de fazer a tarefa. Ganhar um brinquedo como recompensa pelo bom desempenho escolar. Essas são algumas das compensações que alguns pais propõem aos filhos em troca de obter um determinado comportamento ou de realizar alguma tarefa. Quando o assunto é educar, essa prática é mais comum do que se pensa. No entanto, para a psicopedagoga e mestre em educação Raquel Faconti, essa postura pode atrapalhar o desenvolvimento do senso de responsabilidade da criança, que acaba não entendendo que ela também tem seus deveres.
Segundo Raquel, essa iniciativa dos pais de adotarem o sistema de troca surge pela ânsia de ajudar os filhos a melhorarem na escola, a se relacionarem melhor com as outras pessoas ou superarem alguma dificuldade. ''É comum nós identificarmos essa postura quando os pais nos vem procurar para realizar o trabalho com os filhos. Mas eles não fazem isso por mal'', complementa. ''Muitas vezes, eles precisam apenas de orientação.''
De acordo com a psicopedagoga, as propostas vão desde tirar um boa nota na escola para ganhar uma tarde no shopping até passar de série na escola para ganhar uma bicicleta. A mestre em educação complementa que, muitas vezes, a criança não realiza alguma atividade ou não se comporta de determinada maneira exigida pelos pais, não porque tem preguiça, mas realmente em função de um impedimento real.
''As consequências disso podem ser catastróficas, porque ela se frusta e acaba se sentindo incompetente'', esclarece Raquel. ''Os pais acabam interferindo de maneira negativa na autoestima do filho.''
A psicopedagoga detalha que em alguns casos, mesmo que a criança não alcance aquilo que foi estipulado, os pais dão o que prometeram por dó, ensinando que mesmo sem alcançar o que foi proposto ela terá a compensação. ''Dessa maneira, você não os ensina a adquirir responsabilidade, a desenvolver condutas que são boas para eles'', acrescenta Raquel. ''No futuro, eles serão adultos que para conseguir o querem, irão sempre utilizar o sistema de favores e terão dificuldade para lidar com frustações.''
A psicopedagoga alerta que geralmente os pais têm dificuldades para reconhecer que estão cometendo esse erro, porque estão muito envolvidos com a situação e é a partir daí que a escola, os parentes e os amigos ganham o papel fundamental de alertar.
''Sempre oriento os pais para que evitem prometer algo, porque a gente tem que ajudar a criança a superar suas dificuldades, dando todo apoio, independente de trocas'', afirma a especialista. ''No entanto, alguns pais reproduzem a forma como foram educados, e aí se faz realmente necessário acompanhamento.''


