Os riscos da malhação
O modismo e a necessidade de acompanhamento profissional na hora de fazer exercícios têm resultado no aumento da oferta e procura de profissionais da área de educação física, principalmente dos personal trainers. Em Londrina, o serviço chegou com mais ênfase este ano.
Profissionais que prometem atendimento individual anunciam seus serviços nos jornais a preços que variam de R$ 10,00 a R$ 25,00. O fácil acesso da população ao serviço é positivo, afirma o professor do curso de Educação Física da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Raymundo Pires Junior, especialista em fisiologia e atendimento a doenças crônico-degenerativas. Mas, claro, é preciso estar alerta para a qualidade do serviço oferecido.
Ele informa que a ciência da Educação Física foi, juntamente com a Computação, a área que mais se desenvolveu nos últimos 15 anos. Raymundo Pires defende o atendimento individualizado.
Hoje um profissional atualizado sabe que é impossível fazer um bom trabalho com um grupo, diz. Ele explica que cada pessoa tem características físicas próprias, perdas particulares que têm de ser trabalhadas de forma específica e limites que precisam ser respeitados.
O professor afirma que quando os exercícios são programados para um grupo, é comum os alunos sofrerem contusões, estiramentos e torções. Quando a pessoa sente dores após a prática de exercícios é porque não estava preparada para realizá-los. Não é um bom sinal. A dor mostra que houve micro-lesões na musculatura, comenta. As lesões são consequência direta da escolha inadequada do tipo de exercício e do abuso na prática da ginástica.
Ter um personal trainer, porém, não afasta o risco da pessoa acabar vítima dos exercícios. Raymundo alerta que o lucro fácil está atraindo muitos acadêmicos despreparados e profissionais não qualificados para atuar na área. Profissionais sem preparo podem dar orientação errada e prejudicar o desenvolvimento físico da pessoa, levando o corpo a um desgaste, provocando lesões e contusões graves, explica o professor. A única forma da pessoa se defender contra o mau profissional, diz, é buscar referência com amigos que já foram atendidos por um preparador-físico.
O professor esclarece que até mesmo exercícios simples precisam de orientação porque podem agredir o corpo. Como exemplo, ele cita o abdominal. Se a pessoa tem problemas na coluna lombar não deve fazer abdominais levantando todo o corpo até os joelhos, diz. Neste caso, orienta, a opção mais correta para não lesionar a coluna é o abdominal com as pernas flexionadas.
Exercício, acrescenta, é igual a remédio, tem contra-indicação, dosagem correta, frequência adequada e só deve ser realizado depois de uma avaliação física e com o acompanhamento profissional. O bom profissional faz uma análise levando em conta o estado geral do cliente e exige exames clínicos como o de um cardiologista para planejar o seu trabalho.
Outra alternativa para a prática de exercícios são as academias em casa, ou seja, equipamentos que ficam à disposição o dia todo. O ortopedista e traumatologista Aureo Cinagawa, especialista em medicina esportiva, é a favor, mas faz ressalvas: Quem pode, deve ter os equipamentos; desde que os use. Toda iniciativa que vise promover atividade física é benéfica, defende. Mas ressalta que existem formas mais baratas e até gratuitas de praticar esportes.Paulo WolfgangEntrando em formaO administrador de empresas Carlos Alberto Faria, 27 anos, orientado pelo professor Raymundo Pires JuniorCélia Baroni





