Os que ficaram têm poucas esperanças
Os comerciantes que não foram atingidos pela ação de ontem tentam manter a esperança de continuar trabalhando no local, mas já pensam no pior. ''Acho que vamos ter que mudar de cidade'', confessou Mafalda Zendrine, 77 anos, que junto do marido e dos filhos mantém uma banca de sorvete no local há 33 anos. A família chegou ali quando o Calçadão ainda não existia, e hoje seu quiosque está funcionando graças a uma liminar conseguida na Justiça.
O proprietário de uma das bancas de jornais que fica nas proximidades, Antonio Marcos Passarini, aguarda julgamento de recurso, que deve sair esta semana, para definir seu futuro. ''Acredito em uma decisão favorável'', disse, porém sem muito entusiasmo. Ele revelou que gostaria de manter o negócio da família, mas que está difícil encontrar um outro local para trabalhar no Centro.
O advogado que representa parte dos 38 comerciantes, Gerson da Silva, informou que as ações ainda correm na Justiça e a demolição foi uma arbitrariedade. ''Do ponto de vista jurídico, isto aqui é uma afronta constitucional.'' Ele lembrou que se a decisão da Justiça foi favorável aos comerciantes, o município terá que indenizá-los. O advogado informou ainda que, diante da ''força do Estado'' e do efetivo destacado para atuar na ação de ontem, não havia muito o que fazer.
A polêmica da retirada dos quiosques da área central começou em fevereiro deste ano, quando a prefeitura notificou os permissionários, informando-os de que deveriam encerrar as atividades. O projeto de revitalização do Calçadão prevê a reconstrução dos pontos de comércio, mas em menor número e de forma padronizada. Além disso, não será mais permitida a venda de bebida alcoólica nestes locais. (S.L.)





