Uma das maiores preocupações dos pais está relacionado ao desenvolvimento inicial dos filhos e a capacidade de se comunicar por meio da fala. Por isso, eles devem ficar atentos às etapas pelas quais uma criança passa nesse processo.
Segundo a fonoaudióloga Ana Carulina Spinardi, de Londrina, a criança começa a emitir alguns sons por volta dos seis meses de idade, o chamado balbucio. Entre sete e nove meses o bebê produz uma variedade maior de vocalizações e algumas pesquisas apontam a importância da emissão desses sons para o desenvolvimento da fala, considerando o balbucio um indicador do desenvolvimento cognitivo e sócio-emocional da criança.
''É como se fosse um treino para a produção das futuras palavras'', ressalta a fonoaudióloga. Ela explica que nessa fase é importante que os pais e pessoas próximas interajam e brinquem com os sons do bebê, dando significado a essas vocalizações, relacionando-as a alguém ou algo, por exemplo.
Ana Carulina explica que as primeiras palavras começam a ser produzidas entre 12 e 18 meses. ''Aproximadamente aos dois anos a criança já é capaz de formar frases simples, como 'nenê qué não', 'dá bola'; e durante o desenvolvimento da fala os erros de pronúncia e na formação de frases são esperados. Somente o fonoaudiólogo poderá dizer, após avaliação, se os erros são ou não esperados para aquela determinada faixa etária'', afirma.
Progressivo
A aprendizagem de todos os sons da língua pode ocorrer até os seis anos de idade. Como os sons são aprendidos de maneira progressiva, é preciso um teste para checar se a dificuldade é ou não esperada para sua faixa etária. ''Vale lembrar que a fala (linguagem oral) exerce influência no aprendizado da escrita, uma vez que o português é uma língua alfabética, ou seja, apresenta correspondência letra-som'', destaca a fonoaudióloga.
Ana Carulina ressalta que as alterações do desenvolvimento infantil, incluindo as de fala, devem ser identificadas o mais precocemente possível para que, se necessário, seja realizado o tratamento. ''A intervenção precoce é fundamental também para que se previnam os sintomas secundários a essas alterações, que, se estabilizados, ficam muito mais difíceis de serem modificados'', observa.
Gagueira
A língua presa e a gagueira são problemas muito distintos, tanto em relação aos sintomas (manifestações) quanto às causas e consequentemente o tratamento. Ana Carulina explica que a língua presa é um problema congênito (que nasce com a criança) e ocorre quando o frênulo da língua (popularmente conhecida como freio) limita os movimentos dela não só para falar, mas para mamar e mastigar. ''Já a gagueira é um distúrbio na fluência da fala.''
''Qualquer problema de fala deve ser avaliado e tratado por um profissional capacitado. Não existe um método ou fórmula que sirva para todas as crianças, já que o processo de desenvolvimento é individual e dependente de vários fatores'', explica a profissional.
Segundo ela, os pais podem ajudar a criança com problemas na fala mostrando a pronúncia correta das palavras e não repetindo ou incentivando a produção errada. ''Deve-se tomar cuidado para que a correção não se torne exaustiva para ambos'', aconselha.

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