A lei ''Cidade Limpa'', que pretende deixar Londrina visualmente mais bonita, acabou revelando um grave problema em parte das fachadas comerciais. Prédios antigos e marquises com infiltrações, algumas apresentando acúmulo de água, com risco de se tornarem focos para procriação do mosquito da dengue, além de outros defeitos estruturais, trazem insegurança para comerciantes e consumidores que circulam por ali.
O alerta é do Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia (Crea). ''A revisão de uma edificação tem que ser feita com certa constância, pois sabemos que prédios não duram para sempre'', argumenta o gerente regional do Crea, Jefferson Oliveira da Cruz.
Uma lei, aprovada em 2007, regulamenta a manutenção das partes externas dos edifícios a cada 24 meses. O texto começou a ser escrito depois da queda de uma marquise na Universidade Estadual de Londrina (UEL), ocorrido em 2006, e que resultou em duas mortes e 22 estudantes feridos.
Cruz não soube determinar quantas edificações precisariam de reparos, mas observa que a entrada dos documentos que comprovam uma manutenção não tem ocorrido no conselho. ''Quando o arquiteto ou engenheiro prepara um laudo, esse documento chega até o conselho. Hoje o que se percebe é que a frequência com que isso ocorre é bem pequena'', ressalta. ''Aparentemente não há riscos, mas é importante uma análise profissional detalhada para prevenir qualquer acidente.''
Contratar profissionais e investir na edificação comercial são gastos que nem todos os comerciantes haviam programado, mas que agora se mostram urgentes. Dono de uma loja de moda íntima feminina, Daniel Fernandes Tenerense acredita que a lei traz benefícios, mas avalia que nem mesmo o poder público esperava encontrar esta situação. Segundo ele, seus vizinhos já começam a reformar suas marquises. ''Tenho conversado com outros comerciantes e está todo mundo se mexendo para resolver o problema.''
Mas, não são só os proprietários que se preocupam com a situação. Passeando pelo comércio com seu filho de quatro anos, o funcionário público José Pinheiro Neto afirma ter receio de andar com a criança por esses locais. ''É perigoso e agora que as placas foram retiradas a situação fica ainda mais crítica, porque você consegue ver como tudo está'', argumenta.

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