Os perigos que o sol esconde
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
O verão ainda não chegou mas o sol já está mostrando toda sua força na maior parte dos dias. Com o calor e a expectativa das férias, a tendência é procurar as piscinas e praias para se refrescar e também para se bronzear. O problema é que na busca pela beleza, muitas pessoas não se atentam para os perigos que o sol esconde, entre eles o câncer de pele. Trabalhadores expostos ao sol também necessitam de proteção.
Para alertar a comunidade e também diagnosticar e possibilitar o tratamento precoce de quem desconhece que tem o problema, amanhã é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Câncer da Pele. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) promoverá exames gratuitos em várias cidades. No Paraná os exames gratuitos serão realizados em Curitiba, Londrina, Apucarana (Centro-Norte), Cascavel e Toledo (Oeste), Paranavaí (Noroeste) e Guarapuava (Centro).
O coordenador estadual da campanha, o dermatologista José Roberto Shibue, de Curitiba, explica que no Norte do Paraná há muitos casos ligados à agricultura. ''O sol tem efeito cumulativo, por isso é importante o uso de bonés, filtro solar e roupas protetoras, como camisetas, além de evitar o horário de maior radiação solar, que é entre 10 e 16 horas'', explica.
Lâmpadas
De acordo com o médico, algumas lâmpadas de bronzeamento artificial também podem causar o câncer de pele, mas as lâmpadas comuns, usadas em casas e escritórios, não oferecem riscos. Porém, mesmo quando o dia está nublado há perigo, já que a incidência dos raios ultravioleta penetra pelas nuvens, podendo causar danos à pele, sendo que rosto, pescoço e tronco ficam de duas a quatro vezes mais expostos do que outras partes do corpo.
Pesquisa realizada pela SBD constatou que cerca de 70% da população não tem o hábito de se proteger da radiação solar. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que 25% dos casos de câncer no Brasil são de pele e as regiões Sul e Sudeste concentram a maioria dos casos. Dos 140 mil novos casos estimados para 2012, pelo menos 22,4 mil estão situados na região Sul, sendo que 7,4 mil devem acometer o Paraná. A doença é mais comum em adultos com a pele branca e acima de 40 anos. A incidência é ligeiramente maior nas mulheres. São 61 em cada 100 mil habitantes, contra 56 homens.
''As pessoas com olhos, pele e cabelos claros, aquelas com histórico de câncer, que já tiveram queimadura solar com bolhas ou que têm 'pintas' escuras correm maior risco de ter câncer de pele'', alerta Shibue.
O coordenador da campanha em Londrina, o dermatologista Rogério Nabor Kondo, explica que o tipo de câncer de pele mais frequente é o carcinoma basocelular, que representa 70% dos casos. ''É devido aos efeitos cumulativos da exposição solar durante a vida. Embora não cause metástase, pode ser localmente invasivo, destruindo cartilagens e ossos'', informa o médico, que é professor de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O segundo tipo de câncer de pele mais comum é o carcinoma espinocelular. Segundo Kondo, além da exposição prolongada ao sol sem proteção, o tabagismo e a exposição a substâncias químicas como arsênio podem causar o problema. Podem surgir, também, sobre feridas crônicas. Esse tipo de câncer pode se disseminar por gânglios e provocar metástase, isto é, se espalhar para outros locais no corpo.
O melanoma é o tipo de câncer de pele mais perigoso, mas atinge um índice menor de pessoas - 4% e pode levar à morte quando o diagnóstico é tardio. Possui alto potencial de produzir metástase e inicia-se, geralmente, como uma ''pinta'' escura.
Cuidados
O cuidado com a pele deve começar desde cedo. Shibue alerta que bebês só devem ser expostos ao sol a partir do terceiro mês de vida, nos primeiros horários de sol, por causa da vitamina D. A exposição ao sol na piscina ou praia só é permitido após os seis meses e com o uso de filtro solar específico para crianças.
Em relação à vitamina D, ele explica que os adultos podem ser expor ao sol três vezes por semana, por 10 a 15 minutos, sem protetor solar. ''Mas não é necessário aquela exposição como na praia, basta apenas partes do corpo'', ressalta.
Em Londrina a campanha será realizada no Ambulatório de Dermatologia do Hospital das Clínicas da UEL. O atendimento será feito das 9 às 15 horas, por docentes, residentes e médicos dermatologistas, de forma voluntária, que avaliarão e orientarão as pessoas interessadas.
Os casos suspeitos são encaminhados para tratamento, que será realizado também gratuitamente no próprio ambulatório. Na campanha do ano passado foram atendidas 3.174 pessoas no Paraná, sendo que 373 tiveram lesões suspeitas e foram encaminhadas para tratamento.
Serviço:O Dia Nacional de Combate ao Câncer da Pele em Londrina será realizado neste sábado, dia 24 de novembro, entre 9h e 15h, no Ambulatório do HC, no campus da UEL.



