Os perigos do autodiagnóstico
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quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Reportagem Local 
Quem nunca se automedicou? A prática é muito comum, principalmente quando surgem sintomas considerados simples pelo paciente, como coceiras e dores no corpo. A saída é quase sempre perguntar às pessoas mais próximas, principalmente aos mais velhos, referências de remédios que possam aliviar os incômodos. Porém, na era digital, os conselhos dos mais experientes começam a perder espaço para a ferramenta de busca na internet: o Google. Uma pesquisa britânica divulgada recentemente mostrou que 25% das mulheres na Inglaterra utilizam o Google como pesquisa para autodiagnóstico. Os perigos dessa prática são diversos: desde efeitos colaterais até a piora no quadro da doença.
O gerente de Monitoramento e de Fiscalização de Medicamentos da Anvisa, Tiago Rauber, alerta para os riscos da automedicação. ''A automedicação é um tipo de prática não recomendada por nenhuma autoridade de saúde no Brasil. Esse tipo de prática acarreta uma série de riscos como, por exemplo, você mascarar os sintomas de uma doença, e ter uma dificuldade de diagnosticar corretamente, futuramente essa enfermidade'', ressalta. ''Pode acarretar também maior número de intoxicações. Além do mais, temos a questão de você não fazer realmente o tratamento efetivo daquela enfermidade. Então, todos esses elementos corroboram a tese de que essa é uma prática altamente perigosa, e que temos tido resultados bastante complicados'', acrescenta.
Rauber destaca que o uso de medicamento precisa sempre ser acompanhado por um profissional de saúde. ''Qualquer sintoma, qualquer problema, por mais simples que seja, pode ser o início de um diagnóstico de uma enfermidade mais complexa. Então, todo tipo de sintoma necessita um atendimento de um profissional habilitado, de um médico'', justifica. ''Medicamento não é um bem de consumo qualquer, não é uma caneta, não é uma camiseta. Medicamento tem uma série de benefícios, mas ele também tem riscos'', ressalta o gerente.
O especialista alerta ainda para os riscos do estoque de medicamentos em casa, a chamada farmacinha caseira, que se forma pelo uso indiscriminado de remédios. Além dos riscos da automedicação, essa prática pode levar a pessoa a ingerir o medicamento vencido, o que piora ainda mais os sintomas de quem fizer uso do remédio.


