Os perigos da mistura entre álcool e energético
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segunda-feira, 23 de maio de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem local 
A utilização de bebidas energéticas pelos jovens é tratada como alerta pelos médicos. A situação gera mais preocupação quando o produto é associado à ingestão de álcool e este tipo de comportamento é facilmente identificado entre aqueles que frequentam bares e boates. De acordo com o médico cardiologista Ricardo Rodrigues, de Londrina, os energéticos possuem cafeína e a substância pode causar arritmia cardíaca. ''Por outro lado, sabemos que o álcool também pode provocar alteração no ritmo do coração, já que é tóxico não apenas para o sistema nervoso central, mas também para o coração quando ingerido em altas doses'', explicou.
O médico disse que um dos problemas das bebidas energéticas é a redução da sensação de cansaço. ''Eu considero o cansaço um sinal de alerta de que o corpo precisa de descanso. Quando se mascara esta sensação, obriga-se o corpo a trabalhar além do que ele suporta, isso pode gerar problemas, já que o organismo precisa de um tempo para se recompor'', disse.
Segundo o médico, o álcool e os energéticos estão relacionados ao aumento da pressão cardíaca. ''A combinação destas bebidas ainda pode provocar aceleração nos batimentos do coração e dores no peito (angina)'', acrescentou. O médico disse que quem costuma ingerir a mistura geralmente consome mais álcool do que o normal, já que o sabor do energético mascara o gosto forte do álcool. ''Outro problema que deve ser levantado é o fato do energético deixar a pessoa em estado de alerta reduzindo o efeito depressivo do álcool. Isso acaba expondo o consumidor ao uso exagerado das duas substâncias'', destacou.
Outra situação que deve ser levada em conta é o fato de algumas pessoas terem problemas cardíacos assintomáticos e não saberem da existência da doença. ''Uma pessoa pode conviver alguns anos com problemas no coração sem ter sintomas e isso pode ser agravado a partir da ingestão da mistura entre bebidas energéticas e alcoólicas'', destacou. Para o cardiologista, não há uma situação corriqueira em que possa ser indicada a utilização deste tipo de bebida.
Dependente
Para a psicóloga Etienne Gonze de Oliveira, como o energético dá condições para que a pessoa se mantenha bebendo por mais tempo, e acaba servindo como potencializador dos efeitos do álcool no organismo. ''Isso facilita com que as pessoas ultrapassem seus limites e se coloquem em situações de risco. O álcool em abuso pode levar a pessoa a participar de situações que se estivesse sã não gostaria de se envolver'', afirmou.
A psicóloga lembrou que a pessoa que consome álcool pode ficar dependente da substância e que o uso do álcool é uma porta de acesso para outras drogas. ''Percebemos que os jovens têm contato com o álcool cada vez mais cedo, o consumo está mais evidente também entre as mulheres. Como é uma droga lícita e que promove a interação social, facilita o contato com outros tipos de drogas'', concluiu.


