Os pedófilos são covardes
O lençol sempre guardado na mochila do pai é uma das piores lembranças de uma pedagoga de 50 anos que foi violentada dos 5 aos 14 anos. "Ele usava para forrar o chão e cometer os abusos", conta ela, que só conseguiu se livrar da rotina de assédio quando decidiu reagir à violência. "Os pedófilos são covardes. Quando passei a empurrá-lo, cessou o contato físico", conta.
Até entender que precisava de apoio profissional para superar o assédio, a pedagoga passou por dois casamentos que não deram certo, em parte, porque ela enfrentava dificuldades de se relacionar. "Eu me tornei uma mulher feia, não gostava de chamar a atenção. Hoje sou linda", comemora.
Foi quando contou toda a história para uma colega de trabalho que a aconselhou a procurar uma psicóloga que ela passou a fazer terapia e superou o trauma. "Entendi que a culpa não era minha e finalmente me enxerguei como vítima", diz.
Mesmo depois de muitos anos, garante que a cicatriz permanece. "Irmãos da minha mãe sabiam dos abusos e nunca falaram nada para ninguém. Quem se cala também é cúmplice. Eu era criança e não fui protegida como devia", lembra ela, acrescentando que as crianças abusadas precisam de apoio para superar o ciclo de violência. (C.A.)





