'Os nikkeis daqui são ricos de coração'
Em um dos pavilhões do Parque Ney Braga, onde acontece a Expo Imin 100, uma exposição de fotos aparentemente simples, de casais, famílias, crianças e grupos de nikkeis, guarda uma bela história. As imagens foram captadas em várias cidades do Paraná e São Paulo pelo fotógrafo Hitoshi Yagi. Yagi conta que a idéia de fotografar surgiu meio por acaso. ''Tenho um primo nascido no Brasil, que foi para o Japão como dekassegui, e morreu lá em 2004. Eu vim visitar o túmulo dele e, na ocasião, fiz uma foto de seu filho. Me assustei com a semelhança entre essa foto e uma minha, de quando eu era criança. Daí tive vontade de fotografar mais'', relata.
Yagi fotografou a pioneira Tomi Nakagawa, que, segundo ele, chorou bastante ao se recordar do passado. E depois, com o auxílio de Masasuke Mashima, de Londrina, foi atrás de outros nikkeis na região. ''Quis focalizar o sorriso dos casais, principalmente isseis (nascidos no Japão), porque esse sorriso não existe mais no Japão'', explica o fotógrafo, lamentando o fato de os casais japoneses já não terem mais tanta sintonia.
O fotógrafo conta que ficou impressionado com a comunidade nikkei que encontrou aqui. ''É como se o nikkei daqui tivesse mantido o Japão de antigamente, o sentimento mais puro, que o Japão está esquecendo. Como esses sorrisos todos, que mesmo as crianças japonesas estão perdendo. Não sei se os nikkeis daqui têm dinheiro, mas eles são ricos de coração'', compara.
Seu projeto, intitulado Aitakuba, envolve ainda outras ações, como a construção de um grande portal com cata-ventos em Rolândia. O projeto ganhou o apoio do Ministério das Relações Exteriores, o que possibilitou reunir as fotos em um livro. ''Quero que os casais e as famílias do Japão inspirem-se nas imagens do livro e fiquem bem'', revela.





