Os neurotrans- missores entram em pane
Érika Pelegrino
De Londrina
A importância do sono para a saúde do ser humano ainda é pouco reconhecida entre a população e mesmo entre os médicos. Mas, em novembro do ano passado, o diretor do Centro de Distúrbios do Sono (CDS) em São Paulo, Rubens Reimão, lançou o livro Medicina do Sono, que trata sobre o assunto e é voltado exclusivamente para a classe médica. Reimão é considerado uma das maiores autoridades do assunto no Brasil.
O livro foi editado como parte das atividades do Departamento de Neurologia da Associação Paulista de Medicina, na gestão 1998-1999, da qual Rubens Reimão é presidente. Medicina do Sono focaliza, principalmente, temas como insônia, apnéia do sono e a correlação sono-sonho.
Além de Reimão, diversos especialistas no estudo do sono colaboraram com artigos, entre eles a neurologista Mônica Souza, de Londrina. Mônica é mestre em Medicina Interna pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e professora auxiliar de ensino da clínica neurológica da UEL.
Em entrevista à Folha, a neurologista explica que até há 20 anos os médicos acreditavam que o sono era um estado de adormecimento fisiológico. No livro, o professor-doutor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Paulo Vaz de Arruda, esclarece que com o advento da eletroencefalografia e com o aprimoramento de aparelhos, além dos avanços tecnológicos, o estudo do sono nas diferentes idades e em suas diversas fases ganhou grandes proporções.
Hoje, com a utilização de isótopos radioativos e com a emissão de pósitrons, fótons, ressonância magnética, entre outros, é possível verificar as imensas modificações funcionais pelas quais passam o organismo no estado de vigília ou de sono, segundo Paulo Vaz Arruda em Medicina do Sono.
Ele afirma ainda que passou-se a falar em dois tipos de fisiologia: a do homem acordado e a do homem dormindo. Vaz Arruda se refere ainda a uma terceira: a do homem sonhando, a partir da qual é possível entender melhor múltiplos problemas, tais como os da morte súbita, os dos crimes cometidos durante o sono e o que ocorre com o sono durante os diferentes distúrbios psíquicos e sua relevância na instalação e resolução destes.
Mônica Souza acrescenta que através do estudo do sono é possível, ainda, diagnosticar doenças como arritmia cardíaca e apnéia do sono. Segundo ela, sabe-se hoje que o sono é um estado de intensa atividade cerebral, que passa por quatro a seis ciclos com durações que variam entre 60 e 90 minutos. É no primeiro ciclo, ou nos primeiros 60 a 90 minutos, que a pessoa entra em sono profundo, o sono verdadeiramento restaurador.
Nos ciclos seguintes vai-se aumentando o tempo de sono superficial e sono REM onde ocorrem os sonhos até chegar ao último ciclo, no final da madrugada, quando a pessoa tem apenas o sono REM. É por isso que as pessoas costumam dizer que estavam sonhando pela manhã, explica a neurologista.
Qualquer alteração nestas fases desorganiza a chamada Arquitetura do Sono. Em casos crônicos, Mônica Souza alerta que o distúrbio deve ser considerado como um sintoma de alguma doença. A pessoa deve procurar um médico para fazer uma polissonografia documentação do sono que diagnostica o caso para que seja indicado o tratamento adequado.
Os distúrbios do sono, de acordo com Mônica Souza, são provocados pelo desequilíbrio de neurotransmissores. A insônia é um dos distúrbios mais frequentes e de 90% a 95% dos casos aparece em pacientes com quadros de depressão e ansiedade. Segundo a estatística, 35% da população sofre de insônia, afirma Mônica Souzam, explicando que esta é uma estatística mundial e que Londrina acompanha este percentual.
A neurologista explica que os depressivos têm comprometimento do sono reparador. Ela afirma que a insônia crônica, que dura mais de três semanas, tem causas neurológicas (mal de Parkson, Demência de Alzheimer), médicas (insuficiência cardíaca, doença de próstata) e psiquiátricas (depressão, esquizofrenia).
Este distúrbio se apresenta de três formas: dificuldade em iniciar o sono, em mantê-lo (sono fragmentado) e o despertar precoce. A população em geral, de acordo com Mônica Souza, não dá a devida atenção para a qualidade do sono. A pessoa que não dorme bem e sofre de insônia, em estado de vigília apresenta sintomas como sensação de sono não restaurador, sensação de fadiga, sonolência, falta de concentração.
Uma pessoa nestas condições pode ter problemas sociais e familiares, sofrer acidentes pessoais e de trabalho, ter dificuldades de produtividade e até mesmo correr risco de vida e de desemprego. Em Medicina do Sono, os autores frisam que a insônia não é um diagnóstico, mas um sintoma que se refere à inabilidade de iniciar e de manter o sono. Este distúrbio é acompanhado de sono de baixa qualidade, interrompido e de duração reduzida, sendo insuficiente para restaurar o alerta completo. Os autores afirmam ainda que a insônia crônica é talvez o problema mais angustiante da prática clínica.Especialistas alertam que distúrbios do sono podem ser sintomas de doenças e exigem a atenção das vítimas e dos médicos
Cesar AugustoPUBLICAÇÃO ESPECÍFICAA médica Mônica Souza, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Mestre em medicina interna e professora auxiliar de ensino de clínica neurológica, a profissional participa com um artigo no livro Medicina do Sono: estudo do sono serve para diagnosticar doenças como arritmia cardíaca e apnéia do sonoReproduçãoO livro Medicina do Sono reúne artigos de especialistasCesar AugustoVítima da insônia pode ter problemas sociais e familiares





