Os mortos que vão para o céu
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terça-feira, 08 de maio de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os astros e demais corpos celestes sempre exerceram fascínio sobre os homens na Terra. Não satisfeitos com o alcance dos olhos, inventaram a luneta. Ultrapassar, então, a atmosfera terrestre, aproximaria ainda mais este contato. Mas exceto para os astronautas e turistas milionários, esta é ainda uma possibilidade remota. No entanto, já existe uma opção de ficar entre as estrelas depois da morte. Um crematório de Curitiba oferece o serviço de enviar, literalmente, para o espaço sideral, uma quantidade simbólica das cinzas de pessoas que tiveram seus corpos cremados.
Os restos mortais podem gravitar em torno da Terra ou da Lua, ou mesmo serem embarcados numa viagem rumo às estrelas. O serviço, no mínimo curioso, é fruto de um convênio do Crematório Vaticano com a empresa Celestis, que possui parceria com a agência espacial americana Nasa. Embora o crematório tenha exclusividade do serviço na América Latina, ainda não existe sequer um interessado em enviar as cinzas para o espaço. Talvez o preço, que varia entre US$ 1 mil a quase US$ 13 mil, seja o empecilho.
''Não é uma novidade. Astrólogos, astronautas, funcionários da Nasa e pessoas que admiram os astros são fãs deste serviço. O envio de cinzas é uma simbologia da pessoa estar no céu'', disse a diretora de marketing do Vaticano, Mylena Cooper. Segundo ela, o foguete da Nasa realiza vôos anuais específicos para esse fim, partindo dos Estados Unidos, e os lançamentos podem ser assistidos pelos familiares que são convidados pela Celestis.
O empresário Edson Cooper, dono da Vaticano, foi quem trouxe a novidade para o Brasil, depois que participou de um congresso nos EUA em 1999. Sempre antenado com as perspectivas mundiais do setor, Cooper deve disponibilizar, até o final do ano, o serviço de transformar as cinzas em diamante. ''A alta pressão e temperatura podem transformá-las em diamante, já que o carbono está presente nas cinzas'', explica Cooper.
''A pessoa escolhe se quer o diamante colorido ou transparente, o modelo e o tamanho. Geralmente se faz um pingente ou um anel, para levar consigo uma lembrança significativa da pessoa querida. Acredito que esse serviço vá interessar mais, até pelo custo, que é mais acessível'', aposta ele. Segundo o empresário, a cultura de cremação ainda é tímida no Paraná.
O desejo de cremação deve ser declarado em vida. Um plano de cremação da Vaticano, por exemplo, que inclui urna de cinza, cerimônia, áudio, vídeo e coffe shop sai por R$ 2.930,00. No Vaticano, cerca de 20 cremações são realizadas por mês, incluindo casos de Santa Catarina. Segundo informações da empresa, em torno de 80% dos pedidos são solicitados por católicos.


