Todos os dias, de ônibus, carona, a pé ou de bicicleta, moradores de rua chegam a Londrina. Segundo dados do Programa Sinal Verde, da Secretaria Municipal de Assistência Social, a cidade recebeu 1,3 mil pessoas nessa situação em 2006. Elas vêm em busca de parentes, emprego, tratamento médico ou estão simplesmente passando por aqui.
Ir para uma cidade desconhecida, sem dinheiro e sem perspectiva de um lugar para ficar, pode até parecer loucura, mas cada um desses migrantes tem a sua história. O catador de papel José Ricardo Moreira, 46 anos, nasceu em São Paulo (SP) e se mudou adolescente, com a família, para Porto Alegre (RS), onde teve residência fixa por 25 anos.
Ele conta que sua vida mudou quando resolveu ir ao encontro de um dos irmãos na capital paulista. Saiu de Porto Alegre e foi de ônibus até Curitiba. Na capital do Paraná, ele ficou por quase dois anos, ganhando a vida como catador de papel. Quando resolveu continuar a caminhada em busca do irmão, comprou uma passagem de ônibus até Londrina.
Aqui, Moreira foi abordado pelo Programa Sinal Verde e ganhou uma passagem para São Paulo. Lá encontrou o irmão, que é casado e tem três filhos. ''Meu irmão trabalha à noite como porteiro e a mulher dele fica em casa com as crianças. Seria estranho eu ficar morando lá. Não ia dar certo, resolvi voltar pra cá'', explica.
Questionado sobre o próximo destino, ele se mostra indeciso. Ainda não sabe se quer voltar para Porto Alegre, trabalhar novamente em Curitiba ou ficar em Londrina. Enquanto isso vai fazendo bicos, recolhendo latas de alumínio nas ruas e fazendo artesanato. ''Hoje já vendi três panelinhas que fiz com as latas'', conta, orgulhoso.
Atualmente, ele mora na Casa do Bom Samaritano, que tem capacidade para 76 pessoas e está quase sempre lotada, segundo a irmã Leenamma Thomas, coordenadora da casa, que é mantida com recursos da igreja católica, prefeitura e doações.
Outro morador da casa é o porteiro Arniceu Hoeckle, 52. Ele chegou a Londrina em maio de 2002, vindo de Cascavel em busca de tratamento médico. ''Estava desempregado e doente, então me falaram que em Londrina a medicina estava avançada. Não pensei duas vezes, vim sem nada, só com a coragem'', relembra.
No Hospital Universitário (HU) e no Hospital das Clínicas (HC), ele encontrou o tratamento que precisava para a doença que começava a manifestar os primeiros sintomas. Na Casa do Bom Samaritano encontrou abrigo. ''Nesse tempo todo minha vida se resumiu ao HU, HC e ao lar''.
Agora, a vida de Arniceu começa a ganhar novos horizontes. Ele está trabalhando na portaria do Lar das Vovozinhas e em fevereiro faz os últimos exames para confirmar a cura da doença.

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