Alguns bairros em Londrina são tão pequenos que os próprios moradores, ao orientarem um entregador, passam como ponto de referência as localidades vizinhas. Esses bairros possuem entre quatro e oito ruas, onde transitam poucos carros, raramente se veem pessoas de fora circulando por ali e frequentemente os moradores precisam lidar com o esquecimento do poder público quando o assunto se refere aos serviços básicos. A esperança da comunidade é que a nova administração municipal atenda as reivindicações.
O nosso roteiro começa no Jardim Progresso (zona norte), composto por cinco ruas e localizado entre o Ribeirão Quati e a Avenida Brasília (BR-369). Justamente pela proximidade com o ribeirão, a comunidade precisa lidar com as enchentes e alagamentos. Os moradores das ruas Frederico Schultheiss e Coelho Neto afirmam que o problema das enchentes é potencializado com o entupimento dos bueiros. ''Esses bueiros estão entupidos há dois anos e ninguém toma uma providência'', reclama a comerciante Priscila Barros.
Outro problema relatado pelos moradores é a falta de segurança. O motorista Júlio Adriano de Souza diz que é grande o número de usuários de crack . ''Aqui é um ponto de tráfico de drogas e o pessoal circula dia e noite'', afirma. Além disso, a reportagem constatou que o mato alto e o cupim nas árvores também preocupam a comunidade.
O Jardim da Urca (zona leste), localizado perto do residencial Vila Romana e da Estação de Tratamento de esgoto (ETE) da Sanepar, composto por cinco ruas, é muito menos charmoso que o seu homônimo do Rio de Janeiro. Mesmo sendo tão próxima da ETE, a Urca londrinense não é provida de rede de esgoto, obrigando os moradores a perfurar fossas sépticas. Segundo a auxiliar de serviços gerais, Quitéria Gumercindo da Silva, de 54 anos, o terreno rochoso impede uma perfuração mais profunda, fazendo com que as fossas se encham rapidamente. Ela se queixou ainda da falta de telefones públicos.
Sua vizinha, a dona de casa Rita Madeira, de 26 anos, garantiu que a coleta seletiva de lixo não é realizada no bairro há três anos, fazendo com que muitos moradores queimem os recicláveis. Rita também se queixou da falta de creches e escolas nas imediações. ''Eu tenho que levar meus filhos na creche do Conjunto Eucaliptos, que fica a 2 km daqui e não tem transporte para as escolas estaduais'', reclamou.
Duas quadras
Incrustrada entre a Vila Yara e o Conjunto Habitacional Novo Amparo, o Conjunto Habitacional Santa Luzia é um local antigo que possui apenas duas quadras. De tão pequeno, não há como manter estruturas como escolas, creches ou postos de saúde por lá. Para o servente de pedreiro Lucas Pedro Lhamas, de 18 anos, a empresa responsável pela linha férrea que passa ao lado deveria pelo menos cortar o mato ali perto e a prefeitura poderia aproveitar o espaço para implantar academias ao ar livre. ''Faltam praças, espaços de lazer para os moradores daqui'', cobrou. Morador da Rua Gino Tamiozzo, ele destacou que os estudantes do bairro precisam estudar na Vila Yara, a 2,5 km dali. ''Todos eles vão à pé, porque não há transporte para eles'', apontou.
O giro pelos pequenos bairros terminou no Jardim Nova Esperança (zona sul), localizado ao lado do bairro União da Vitória. No local, não há mercados, padarias, farmácias ou qualquer outro tipo de comércio, obrigando os moradores a se deslocarem para bairros vizinhos. Os moradores já realizaram protestos e foram, inclusive, para a prefeitura reivindicar vários serviços públicos, como transporte escolar, creche e posto de saúde. ''As pessoas acamadas não podem se deslocar até o posto do União da Vitória'', reclamou a dona de casa Maria Benedita Francisca, de 49 anos.

Leia Também:

- Moradores do Charrua elogiam segurança

- PM solicita auxílio da população

mockup