'Os meninos não pedem, eles exigem'
Os arrombamentos são apenas um dos tipos de violência que os pequenos comerciantes do centro enfrentam. Eles dizem que são constantemente ameaçados por grupos de menores que querem comida e dinheiro: ''Os meninos não pedem, eles exigem. Esta semana um deles simplesmente pegou um pacote de biscoitos e foi embora. Se a gente não dá o que eles querem, é palavrão e ameaça'', explica Jamilson Gardiano, da Casa do Suco. A família trabalha no quiosque desde 1969.
Os donos de um quisoque, na Praça Marechal Floriano, reclamam da falta de policiamento. ''Tem um grupo de menores que passa o dia inteiro fumando maconha aqui atrás. Nós cansamos de chamar a polícia mas ninguém vai preso. E o pior é que agora eles estão nos ameaçando de morte e dizem que vão colocar fogo na nossa banca'', conta o filho do proprietário, que preferiu não se identificar por causa das ameaças.
A rotina dos arrombadores é sempre a mesma: assim que os portões do Bosque são fechados e os policiais que fazem a ronda vão embora, eles começam a agir. ''Esse bosque é um covil, tudo de ruim tem aí. Eles aprontam a maior bagunça por aqui e depois vão dormir lá dentro'', conta o taxista Armando Jesus, que há 25 anos trabalha no ponto do bosque.
Funcionárias da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que fazem a limpeza do local, confirmam que o banheiro é usado como dormitório. Grupos de menores e até maiores de idade dormem em cima da laje do banheiro. De manhã bem cedo, quando começa a ronda do Cabo Romildo, todo mundo vai embora. ''Já solicitamos o serviço social da prefeitura, mas os menores sempre fogem antes que alguém se aproxime'', conta o policial.
De acordo com ele, a dificuldade da polícia não é só prender: ''No caso dos menores, quando conseguimos pegá-los, eles são liberados logo em seguida'', reconhece.





