Os mais experientes vendem guarda-chuva até em dia de sol
Márcio Palhaço Pimpolho, 24 anos, faz a alegria e provoca a fúria do londrinense. Há aquela menininha de cabelos crespinhos que ri da palhaçada que o moço inventa. Há o enfezado que cobre Pimpolho de sopapos, a raiva aflorando quando se descobre vítima das traquinagens do ''sombra''. É outra das habilidades de Márcio, um londrinense cujo verdadeiro sobrenome é Jadiel Ferreira. Ele também entrega panfletos, é locutor de porta de loja. Um lutador. ''Vivo com a contribuição que o povo deixa na minha caixinha. Tem gente que entra no espírito de brincadeira e sorri, mas tem gente que não gosta não'', revela.
Um pouco mais à frente, encostado do edifício América, Luiz Alves vende alho. E não é pouca gente que pára junto à barraquinha do aposentado de 73 anos. Filho de português, ele diz que negocia o produto pra tirar um extra. Há 11 anos, marca ponto na mesma esquina, e por necessidade. Ganha um salário de aposentadoria. ''Só com isso não dá, né?'', afirma.
Outro veterano é Fran Belvedere, 65, ambulante especializado em guarda-chuvas. Uma vida toda dedicada às vendas de rua. Vida estressante, segundo ele. ''Há pouco tempo tive uma parada cardíaca, e tenho três ponte de safena'', garante. Não revela como, mas diz categoricamente que sai guarda-chuva até mesmo com o mais ensolarado dos climas. História de vendedor? Difícil de saber. Mas sentado distraidamente em uma bancada, ali defronte do Banco do Brasil, não parece precocupado com o faturamento.
Ainda há um dia inteiro de trabalho, e milhares de consumidores para seduzir. Quem conhece o Calçadão sabe que horas e onde vai achar os melhores consumidores. ''O pessoal rico vem comprar de noite, enquanto pobre e classe média vem mais de dia. Só saio daqui lá pelas 22 horas, se os fiscais deixam'', diz o vendedor de óculos Edson Felizardo.





