Londrina

Josoé de CarvalhoNova imagemCrianças brincam no ribeirão Lindóia, que pode dar origem a um novo conjunto de lagos em LondrinaQuando 1998 chegar, a população da zona norte da Cidade - cerca de 100 mil pessoas que vivem em 45 conjuntos habitacionais - começará a ganhar um ‘‘presente’’ da Prefeitura: recuperação, revitalização e investimentos na infra-estrutura de lazer nos fundos do vale do ribeirão Lindóia, que corta toda a região. A principal novidade será a construção de cinco lagos artificiais - ao longo de 4 quilômetros do ribeirão -, medindo cada um cerca de 500 metros de comprimento por 100 de largura, e com no máximo 1,5 metro de profundidade.
O projeto está entrando na fase final, sob responsabilidade de engenheiros e técnicos do Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), e já tem o sinal verde do prefeito Antonio Belinati (PDT) para ser iniciado nos primeiros meses do próximo ano. Quem garante é o presidente do Ippul, Mário Stamm Júnior, mostrando no papel os desenhos detalhados do projeto.
Josoé de CarvalhoNo papelSegundo os técnicos do Ippul, o projeto dos cinco lagos artificiais para o Cincão está em fase final
‘‘Vamos construir na zona norte algo bastante parecido ao que é para a área central o lago Igapó, guardadas as devidas proporções’’, comenta Stamm Júnior. ‘‘Será uma urbanização completa dos fundos daquele vale, com a limpeza das margens, plantio de árvores nativas e frutíferas, construção de pistas de cooper, quiosques com churrasqueiras, dragagem do leito, obras de barragens e a formação dos cinco lagos.’’
Um dos principais responsáveis pelo projeto é o diretor do Departamento Físico-Territorial do Ippul, José Adalberto Nogueira Azevedo. Ele explica que faltam apenas detalhes para a finalização do estudo, que dependem agora de uma resposta da Sanepar sobre a profundidade em que ficarão os emissários de esgotos que estão sendo implantados nos bairros daquela região ao longo do Lindóia.
De acordo com Azevedo, os dados da Sanepar - prometidos para as próximas semanas - são fundamentais para a conclusão dos cálculos técnicos sobre a profundidade, extensão, largura e consequente volume de água que terá cada um dos cinco lagos. ‘‘A rede de captação de esgoto está em implantação, o que evitará a continuidade da poluição do Lindóia por ligações clandestinas. Isto garantirá a rápida recuperação da qualidade da água. E a profundidade dos emissários dará a base para a altura dos nossos lagos, para evitarmos a possibilidade de futuras inundações e alagamentos das ruas e bairros vizinhos’’, ressalta.
Ainda não estão terminados também os estudos econômicos sobre o total do investimento. ‘‘Mas serão obras baratas, de fácil construção, e que realizaremos em etapas, conforme a disponibilidade dos recursos. O investimento será pequeno, perto do grande benefício que trará à grande comunidade daquela região’’, enfatiza o presidente do Ippul, lembrando que não serão necessárias desapropriações.
A primeira barragem será construída na avenida Winston Churchill, nos fundos do parque Ouro Verde. O segundo lago ficará nos fundos do jardim Paraíso. A terceira barragem será erguida na rodovia Carlos João Strass, no jardim Pacaembu, onde atualmente já existe um pequena lagoa natural. O quarto lago será formado nos fundos do conjunto Milton Gavetti. A última barragem será construída na rua Angelina Ricci Vezozzo, nos fundos do conjunto João Paz.
‘‘A primeira fase do projeto já está em andamento, com a limpeza das várzeas que margeiam o ribeirão e a implantação da rede coletora de esgoto, em parceria com a Sanepar. Na sequência virão a dragagem, alargamento e canalização do Lindóia em alguns pontos. Depois iniciaremos as obras das barragens para a formação dos lagos’’, afirma Stamm Júnior, garantindo que serão implantados em 98 pelo menos os dois primeiros lagos.
Não foi definida a data exata para o início das obras da segunda fase do projeto, quando os trabalhos passarão a ser realizados em conjunto com a Autarquia do Meio Ambiente (AMA) e Secretaria de Obras. ‘‘Vamos fazer a recuperação ambiental e a urbanização completa naquele vale inteiro. Apesar de a água estar um pouco poluída e haver alguns pontos de invasão para moradia, a situação geral de preservação é boa e a canalização natural da água é eficiente’’, avalia o diretor do Ippul José Adalberto Azevedo.
O projeto paisagístico está em fase final de elaboração e contará com parques infantis à base de material reciclado, além de levar em conta a erradicação do taboal que toma conta das várzeas e o plantio de milhares de árvores frutíferas e espécies nativas da região nas margens do ribeirão. Detalhes e números desta parte, que é posterior à construção das barragens e formação dos lagos, serão também definidos conjuntamente com técnicos da AMA.
‘‘A idéia é transformar o empreendimento numa grande e importante área de preservação do meio ambiente e de lazer, público e gratuito, para a população da zona norte. Este foi um dos compromissos de campanha do prefeito, e vamos começar a torná-lo realidade em breve, já nos primeiros meses de 98’’, informa Stamm Júnior. ‘‘A idéia não é nossa, não é nova. Já foi discutida por administrações anteriores. Mas, agora estamos terminando os estudos técnicos, o projeto, e vamos viabilizá-lo nos próximos anos, de forma paulatina. Esta obra não é cara, mas muito importante para a gente daquela região. Vamos fazê-la’’.

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