A Prefeitura de Londrina vem dando continuidade aos programas e projetos da Ação Social iniciados na gestão anterior, de atendimento a crianças e adolescentes que perambulam pelas ruas. Um deles é o Sinal Verde que, em 96,abordou 1.475 crianças e desenvolveu trabalho com suas famílias. O projeto também foi responsável pela abertura de 50 processos responsabilizando os pais por omissão. O projeto Educando, Brincando e Formando Cidadãos atendeu 1.200 crianças e adolescentes nos bairros. Elas desenvolveram atividades lúdicas, recreativas, esportivas, além de trabalhos manuais. No final do ano, os produtos artesanais feitos por elas foram comercializados e a arrecadação usada para a compra de presentes de Natal.
O projeto das casas-abrigo começou atendendo a 40 menores em quatro unidades. Hoje funcionam duas casas, com um total de 30 atendimentos. Outro projeto abrange 1.500 crianças em 11 creches públicas e 47 conveniadas. ‘‘É importante ter um local onde deixar essas crianças para evitar que desde cedo fiquem nas ruas’’, destaca a assistente social Sâmia Mustafá.
Através do Projeto de Encaminhamento ao Trabalho e à Escola (Pete), 60 adolescentes estão com trabalho assegurado na Prefeitura e autarquias e 28 em órgãos do Estado, por meio de convênio com o Estado (projeto Piá no Ofício). Outros 200 recebem cestas básicas, que estimulam a permanência nas escolas. É o projeto da Rua para a Escola. Conveniado com o Estado, também há a estação na Linha do Ofício, com a capacitação trimestral de 120 adolescentes que aprendem computação.
A recuperação de R.B.C.Luka Morais
O que a sociedade está fazendo para ajudar a resolver o problema dos menores que vivem nas ruas? A pergunta é da coordenadora do Programa de Atenção à Criança e ao Adolescente (ligado à Secretaria de Ação Social de Londrina), Sâmia Machado Mustafá. Ela faz questão de lembrar aquilo que todos sabem mas preferem ignorar. ‘‘O problema não é só da Prefeitura, do Estado ou da União mas de todos nós.’’ E não adianta desviar a atenção, buscando um culpado pela situação das cerca de 40 milhões de crianças, no Brasil, que não têm uma vida digna e que fazem das ruas um lar. ‘‘É preciso participar em busca de uma solução. É preciso sair da omissão e saber que cada um de nós tem algo a fazer.’’
As formas são variadas, enumera a assistente social, e vão desde o simples ato de não incentivar a permanência das crianças nas ruas, deixando de dar esmola, a tentar conversar com elas e orientá-las, dar carinho, além de encaminhá-las aos serviços prestados pelo município. ‘‘Maneiras de contribuir não faltam e vão do simples gesto de não dar dinheiro, do trabalho voluntário, ou à destinação de recursos ao fundo do Conselho da Criança e Adolescente que atua nessa área’’, sugere Sâmia, entendendo que ‘‘todos têm algo a oferecer’’.
Também a promotora da Infância e Juventude, Solange Novaes da Silva Vicentin, cobra uma resposta da sociedade. ‘‘Não adianta esperar que os poderes públicos encontrem sozinhos uma solução’’, diz. Solução para amenizar o problema é o que, constantemente, vem buscando a promotora. Na última quarta-feira, ela esteve reunida com integrantes do fórum permanente de entidades locais que atuam com crianças e adolescentes. Em pauta, a escassez de vagas nos locais que atendem essa população. ‘‘Não adianta querer tirar essas pessoas da rua se não temos para onde levá-las’’, preocupa-se a promotora.
O fechamento de casas-abrigo e o aumento da demanda, diz ela, agravam a situação. Desde o ano passado, a promotora vem tentando acertar os detalhes para funcionamento de mais uma casa-abrigo. Também se esforça para a criação do SOS Criança, um local para centralizar atendimento nesta área, agilizando o encaminhamento das crianças durante a noite. ‘‘Hoje não há vagas nas entidades e a polícia, quando recolhe uma criança durante a madrugada, não tem para onde levá-la.’’
A falta de local para recuperação de drogados e a dificuldade para encontrar um emprego, enfrentada por aqueles que estão recuperados do vício, são também preocupações da promotora. Ela cita o caso de um menino que recebeu atendimento, deixou o vício, mas não conseguiu uma ocupação e hoje voltou a perambular pelas ruas. E de outro que, por exibir o certificado de padeiro expedido pela Escola-Oficina, não consegue emprego. Diante da complexidade do problema, Solange Vicentin apela à consciência de cada londrinense: ‘‘Quem pensa que as crianças têm culpa por estarem na rua precisa conhecer melhor a história de cada uma. Elas têm famílias desestruturadas, pais alcoólatras, marginalizados, foram expulsos de casa e são vítimas de maus-tratos’’. Os adolescentes, diz ela, ainda não tiveram a oportunidade para fazer uma escolha sobre a vida que querem levar. ‘‘Ainda não foi dada essa chance a eles.’’
A promotora faz questão de lembrar que as crianças que costumam passar pela Promotoria, envolvidas em criminalidade, não são as que frequentam os mocós. Nos dois últimos anos, a promotoria atendeu a 1.800 casos. Os que chegam a ela são de menores de idade que estudam, têm família. Do total, 30% são de classe média que praticam infrações leves e 70% têm envolvimento com drogas. Os moradores nos mocós, de acordo com Solange Vicentin, estão envolvidos mais com casos de vadiagem, mendicância e pequenos furtos.
A promotora destaca que a grande esperança é o fato dessas crianças poderem ser recuperadas porque ainda estão em formação. ‘‘Mas não adianta esperar que um dia dê um estalo na cabeça delas e elas decidam ‘vou ser gente na vida’. Elas precisam de ajuda e a comunidade pode e deve assumir esse compromisso’’.
Continuidade dos projetos

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