Pedro Henrique, que nasceu no último dia 17, é um bebê abençoado. Ele nasceu em uma família que conserva uma das mais saudáveis tradições, a da amamentação. Desde que veio ao mundo, pesando 4,175 kg, ele passa os dias dormindo e fazendo o que todo recém-nascido deveria ter o direito de fazer: se aconchegar no colo da mãe e receber o mais precioso dos alimentos, que chega sempre na temperatura certa e na composição ideal. E ai da mãe de Pedro se não oferecer as lautas refeições ao garoto.
Um time de peso, formado pela bisavó, avó e irmã - que já é mãe duas vezes - está sempre por perto para 'corujar' o recém-nascido e fazer perpetuar o costume que jamais foi abandonado pelas mulheres da família. Tanto cuidado é sinal do carinho com que ele foi recebido, mas nem era preciso, porque Lindomar da Silva, a mãe, tem na ponta da língua os benefícios da amamentação. ''O leite materno é muito importante para a criança, não tem perigo de estar estragado, é mais prático e faz a criança crescer forte e sadia. Além do mais, sempre achei lindo ver uma mulher alimentando o filho com o próprio leite.'' Aos 39 anos, é a segunda vez que ela dá à luz, e em nenhum momento de suas gestações cogitou a possibilidade de não amamentar.
''Quando minha filha nasceu eu tinha 14 anos, e apesar da pouca idade não tive dificuldades. Sempre fui bem orientada pela minha mãe, e esse é o tipo de coisa que a gente não esquece'', diz Lindomar, ou Linda, como é chamada pelos familiares. E como nunca esqueceu das orientações que recebeu, tratou de repassá-las à filha, Rosinéia Francisca dos Santos, hoje com 25 anos. Rosinéia é mãe de Cyndel (5 anos) e Shensy (3 anos), que também foram devidamente amamentadas. ''Minha mais velha mamou 'só' até os sete meses porque fiquei grávida de novo. Mas a Shensy mamou até os dois anos. Minha mãe sempre ficou em cima, me incentivando'', conta a primogênita de Linda.
O pequeno Pedro já tem o destino traçado. ''Meus patrões são médicos e já me disseram que eu posso levá-lo comigo para o trabalho enquanto tiver amamentando. Então ele vai mamar até quando quiser e eu tiver leite. Não me custa nada e eu sei que isso vai ajudar no seu futuro'', diz Linda, ciente de que muito além da nutrição física, seu gesto estará garantindo a nutrição emocional do filho, igualmente importante para o seu desenvolvimento.
''O leite materno é uma bênção'', define a matriarca Geralda de Araújo, do alto de seus 74 anos e da experiência de quem alimentou seis filhos no peito. Ela se orgulha de nunca ter precisado recorrer a mamadeiras. ''Depois que eu desmamava, eles já estavam comendo papinha. Graças a Deus, porque mamadeira dá um trabalhão'', argumenta. Maria Aparecida de Araújo Silva, filha de Geralda e mãe de Linda, compartilha da mesma opinião: ''Amamentar é muito mais prático'', resume.

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