Para nomear quase 400 cidades -existem 399 municípios paranaenses- é preciso muita criatividade. Nomes indígenas, de personalidades locais, acidentes geográficos, árvores, flores, pássaros, santos, entre outros, foram sendo usados ao batizar (e, às vezes, rebatizar) uma nova localidade que depois se tornaria município.
Sobre a origem dos nomes das cidades, existe uma grande dificuldade em encontrar informações precisas. O professor João Carlos Vicente Ferreira nascido em Santa Cecília do Pavão (60 km ao sul de Cornélio Procópio), reuniu no livro "Origens dos Nomes e História dos Municípios Paranaenses" a etimologia (significado das palavras) e a origem histórica das denominações municipais.
De acordo com Ferreira, no Estado eram comuns nomes de cidades de derivação alemã, italiana e em outros idiomas. "No período da Segunda Guerra Mundial, quando o Brasil se alinhou com os Estados Unidos contra a Alemanha, Itália e Japão, ocorreram represálias aos cidadãos e símbolos que representavam essas nações, inclusive a extinção de nomes de cidades que lembravam ou homenageavam tais países de origem". Ele conta o caso de Cambé, antes denominada "Nova Dantzig", que recebeu o nome atual em 1943, durante a guerra.
Grande parte das nomenclaturas têm origem geográfica, mas também são frequentes as denominações de origem indígena. Como o próprio nome do Estado, que vem do guarani significando rio grande ou rio semelhante ao mar, referindo-se ao Rio Paraná. A pronúncia original era Paranã, mas foi alterada com o tempo. A palavra também denomina outras localidades como Paranapanema e Paranaguá.
Em ordem alfabética, Abatiá (61 km a oeste de Jacarezinho) é a primeira cidade. De origem tupi, a união de "abá" (cabelos), "ti" (brancos, alourados) e "á" (semente) denomina os fiapos que envolvem a espiga de milho. Já a cidade de Ampére (57 km a oeste de Francisco Beltrão) homenageia o físico francês André-Marie Ampére. De acordo com os moradores mais antigos, a denominação veio de pescadores que, às margens do rio da região, disseram "... se construíssemos uma barragem (usina hidrelétrica) neste rio, quantos ampéres de energia teríamos?". Outros rios da área têm nomes ligados à eletricidade como Faraday e Siemens.
Na opinião do professor, nem sempre a personalidade homenageada está ligada à história do município. "Quando são reconhecidos os feitos de um cidadão para uma cidade que vai ser batizada (ou rebatizada), nem sempre ocorre uma consulta aos mais interessados, ou seja, a própria comunidade. Vem lá a vontade política e pronto", conta.
Algumas cidades homenageiam seus ilustres cidadãos, a exemplo de Adrianópolis, Almirante Tamandaré, Antonio Olinto, Barbosa Ferraz, Braganey, Cândido de Abreu, Clevelândia, Engenheiro Beltrão, General Carneiro, Joaquim Távora, Leópolis, Lunardelli, Siqueira Campos, Telêmaco Borba, Verê e tantos outros, não apenas por cargos ou insígnias, mas pela dedicação à história local.
Talvez um dos nomes mais curiosos seja o de Rolândia (25 km a oeste de Londrina). O nome Roland, de origem britânica, é uma homenagem ao guerreiro medieval Roland, um dos 12 pares da França e sobrinho de Carlos Magno. Em 6 de junho de 1943 nasceu o primeiro bebê do vilarejo, Roland Kischkel, mas o nome atual só substituiu o anterior, Caviúna, em 1947.
Na mesma linha, os desavisados podem achar que a nomenclatura do município Braganey (45 km ao norte de Cascavel) remete a algum estrangeiro que vivia na região. Mas a estranha palavra não passa da inversão dos nomes Ney Braga, governador do Estado de 1961 a 1965. Ele ainda vivia quando a comunidade quis fazer a homenagem, por isso o artifício da inversão para não perder a oportunidade.
Outra denominação estranha derivada de nome próprio é do pólo da indústria de papel no Estado, Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa). Pioneiro e desbravador, Telêmaco Augusto Enéas Morocines Borba foi fundador de um núcleo populacional primitivo no local.

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