O Congresso de Criminologia também apresentou ontem palestra sobre ''Características criminológicas da delinquência econômica'', com o doutor Rodrigo Sánchez Rios, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de Curitiba.
Rios segue a vertente oposta da criminalidade que, geralmente, investiga o perfil social e psicológico das populações carcerárias.
Recorrendo ao pensamento do sociólogo americano, Edwing Suthurland, da Universidade de Indiana, Rios lembra que os chamados crimes do colarinho branco se tornaram os novos objetos de pesquisa em Direito Penal. ''Suthurland entende que os empresários que praticam esse tipo de crime têm tendências para o delito. Existe um padrão falso de criminalidade ao analisar apenas as pessoas em presídios e manicômios judiciários. Esses estudos apontam uma tendência biológica, mas o sociólogo americano mudou esse padrão de estudo, que não reflete a realidade dos delitos'', comenta Rios.
Não existe uma escola oficial do crime, mas os chamados crimes do colarinho branco são aprendidos nas rodas de relacionamentos em que se envolvem os autores.
Rios cita os crimes de lavagem de dinheiro praticados por doleiros e que seriam aprendidos nas redes de relações do próprio mercado financeiro. ''Mas eles não vêem a atividade deles como um delito'', ressalta o professor, acrescentando que a regra vale para os crimes políticos, que no Brasil ainda não foram estudados.
O professor defende que a lei penal precisa ser igual para todos. ''Não é através do castigo que a gente resolverá o problema, mas por um tratamento igualitário. Não pode haver benefícios para certos tipos de delitos'', exemplificou, dizendo ainda que não é possível mensurar os prejuízos que os crimes do colarinho branco provocam na sociedade.

SERVIÇO
A programação do 1º Congresso Paranaense de Criminologia, que vai até o dia 11 no Centro de Eventos do Catuaí Shopping, inclui o debate sobre ‘‘Aspectos pontuais da criminalidade na Região Metropolitana de Londrina’’, com o professor Francisco Soares Dias Filho, da Unopar (hoje, às 19h30) e ‘‘Crimes do colarinho branco: os ‘ novos perseguidos’’’, apresentado por Alberto Zacharias Toron, da Universidade de São Paulo (hoje, às 20h45), entre outros temas.

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