Não tem chorume... Mas tem ‘‘chorume’’.
Pra quem não entendeu a frase acima, é isso mesmo: uma coisa não tem nada a ver com a outra. O primeiro chorume, no caso, é o do lixão, também conhecido como aterro sanitário. E ele virou notícia porque, com essa chuvarada, tem gente achando que ele pode transbordar causando grave acidente ecológico na região limítrofe. Tranquilizem-se! Aquilo lá é assim mesmo: chove, satura o terreno e, então, formam-se poças d‘água por todo lado. Quem garante é o presidente da Autarquia do Meio Ambiente (AMA), Nelson Takeo Kohatsu.
Segundo ele, o grande volume de água acumulada no aterro sanitário é água natural. E não penetra terra adentro porque o terreno ali foi preparado para isso mesmo, ou seja, impedir que a água se infiltre na terra, formando mais chorume. Claro que, com este tempo, ninguém transita por ali, mas para Kohatsu não há nada a ser feito, ou melhor, a única medida a ser tomada - ‘‘Só se fechar a torneira do céu’’ - está nas mãos de São Pedro.
Mas se o chorume do lixão está sob controle, tem um outro ‘‘chorume’’ na cidade que não tem São Pedro que dê jeito: o ‘‘chorume’’ dos ex-assessores do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida que só vão ver a cor do dinheiro que têm pra receber - férias, salários de dezembro, horas extras, verbas rescisórias - depois que a Prefeitura acertar todas as suas pendências salariais com aqueles que ela considera prioritários: os funcionários estatutários, os da frente de trabalho e os aposentados.
E, pelo jeito, a ‘‘turma do CC’’ - CC1, CC2...CC11 - que já vinha pulando miudinho, vai passar o Carnaval sapateando. De raiva. ‘‘Até que a coisa se normalize, não tem previsão de pagamento. E os comissionados não estão sendo pagos porque não tem dinheiro. O pagamento deles vai depender da arrecadação’’, avisa o secretário municipal de Negócios Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira, que também responde pela Secretaria de Recursos Humanos.
‘‘Na verdade, quem deveria ter pago esse pessoal é o Cheida, mas ele não pagou’’, comenta Duarte Ferreira, informando que o débito da Prefeitura com os comissionados de Cheida gira em torno de R$ 400 mil.
O secretário nega, conforme informações recebidas pela reportagem da Folha, que a grana dos ex-assessores da administração passada tenha sido tirada da folha de pagamento como represália aos seguidores daquele que, na ótica belinatiana, traiu o atual prefeito de Londrina. ‘‘Não é represália, sabemos que devemos, vamos pagar. Mas, não escondo, a nossa prioridade no momento é equacionarmos a folha de pagamento da Prefeitura’’, sustenta Duarte Ferreira, revelando que a folha, no mês de dezembro passado, chegou a 109% do orçamento total do município.

Prefeitura diz
que pagamento de
ex-comissionados
não é prioritário


E para que não paire nenhuma dúvida, Duarte Ferreira reforça o argumento dizendo que o pagamento dos comissionados de Cheida está condicionado a alguns fatores. Entre eles: fluxo mensal de caixa; estabilização da folha de pagamento dos servidores, não só em relação aos atrasados, mas referente aos salários deste mês de janeiro que já vence na próxima semana e, mais, repasse do pagamento dos assessores da Câmara Municipal de Londrina.
Duarte Ferreira garante também que, para pagar esses comissionados do passado, não serão feitos novos empréstimos bancários, já que os juros têm que ser pagos mensalmente e não há dinheiro para isso. Ele não fixa nenhuma data, mas acena com a possibilidade de pagar parceladamente a esses servidores de ocasião, caso sobre algum em caixa na época em que o grosso do IPTU começar a entrar nos cofres municipais.
Não vai refrescar nada, mas o secretário lembrou também que será possível trocar salário por imposto com aqueles que têm algum débito com a Prefeitura. Finalizando, ele disse que a coisa está tão preta, mas tão preta, que neguinho que hoje tá rindo a toa pode entrar no time do ‘‘chorume’’ logo, logo. Que história é essa, secretário? ‘
‘‘É isso mesmo! Se não houver complementação de receita, até os próprios comissionados desta administração não receberão seus salários. Eu inclusive’’, alerta o secretário de Negócios Jurídicos, revelando também que recebeu a visita de um ex-secretário da administração passada que veio saber quando a ‘‘bufunfa’’ será depositada em sua conta. O ex saiu de lá com esta mesma informação que todos estão tendo agora. Entre os ex-assessores, pelo menos os abordados, ninguém quis comentar o assunto.

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