Curitiba completa hoje 314 anos de existência e como qualquer outro centro urbano, precisa planejar suas ações para as próximas décadas de modo a manter a qualidade de vida desfrutada atualmente pela população. Hoje a cidade cresce numa média de 2,1% ao ano. Mantendo-se este percentual, em 50 anos a população da capital dobraria.
Para que os novos curitibanos encontrem as mesmas condições de vida dos atuais moradores, existem alguns desafios que precisam ser superados nas áreas do saneamento, abstecimento, transporte, gerenciamento do lixo e habitação.
Em todas estes setores, o planejamento da cidade corre paralelo ao planejamento de nossos vizinhos, os municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Segundo o coordenador de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento em Urbanismo de Curitiba (Ippuc), Ricardo Bindo, a integração metropolitana é a alternativa para um município pequeno em extensão, como é Curitiba, sem muitas áreas disponíveis para a ocupação populacional.
A cidade hoje tem 1,7 milhão de habitantes, enquanto a RMC possui aproximadamente 1,3 milhão. A previsão é que em um futuro próximo esta relação se inverta e os municípios vizinhos concentrem a maior parte dos moradores da região. A cada 10 anos, a população da RMC aumenta 500 mil habitantes.
A verticalização - a construção de edifícios - é outra tendência de habitação que deve se concretizar em médio prazo. Segundo o coordenador do Ippuc, a cidade cresce em torno do Centro e dos eixos estruturais de transporte, mas haveriam ainda alguns bairros capazes de absorver o aumento da população na região sul do município e ao longo da BR-116, agora chamada de Linha Verde.
No entanto, antes de planejar o futuro, é preciso regularizar o passado. Assim pensa o presidente da Companhia de Habitação de Curitiba, Mounir Chaowichi, que levanta a regularização fundiária como o grande desafio das próximas décadas.
Segundo ele, nos últimos 30 anos não houve o empenho necessário para conter as ocupações irregulares na cidade. Para contornar esta situação, a prefeitura recebeu investimentos da ordem de R$ 100 milhões do programa de Arrendamento Residencial (PAR), uma parceria do governo federal e da Caixa Econômica para destinar recursos aos municípios que têm problemas com moradia. O dinheiro do PAR é destinado à construção de residências e titulação de áreas irregulares.
A integração com a RMC também pontua o discurso de Chaowichi. Para ele ''Curitiba não pode pensar sozinha no futuro''. Através da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba (Assomec) foi criada, no fim de 2006, uma Câmara Técnica para debater um plano de habitação conjunta entre os municípios da chamada Grande Curitiba.

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