Londrina - Em 1983 surgia na pequena Florestópolis (Região Metropolitana de Londrina), a Pastoral da Criança. Um projeto idealizado pela médica sanitarista e pediatra Zilda Arns Neumann e pelo arcebispo de Londrina na época, dom Geraldo Majella Agnelo, hoje cardeal emérito. De porta em porta, eles acreditavam que fosse possível reduzir a mortalidade infantil causada pela desnutrição (de cada mil crianças nascidas vivas naquele tempo, 80 morriam), através de uma simples fórmula, baseada na orientação às famílias mais carentes e a oferta da multimistura, um complemento alimentar.
No ano passado, o Brasil saiu à frente de muitos países e alcançou uma das metas estabelecidas até 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU). O desafio é a redução em 2/3 na taxa de mortalidade em crianças menores de cinco anos. As estatísticas mais recentes revelam que o número de óbitos no país caiu para 16 de cada mil nascimentos. Então, se décadas atrás a grande preocupação era com as crianças castigadas pela desnutrição, hoje essa realidade foi transformada por um caminho inverso: o sobrepeso.
Em 2010, com um bom controle da desnutrição, as coordenações da Pastoral em todo o Brasil se reuniram para discutir os desafios relacionados à má alimentação das crianças, desde o ventre materno até os seis anos de vida. Diante desta nova realidade, um projeto foi estruturado e iniciado em Maringá (Noroeste) e Cascavel (Oeste).
"No ano passado, essa ação foi aprovada para ser aplicada em todo o país. Através de um aparelho chamado estadiômetro, conseguimos detectar de acordo com a idade da criança se ela está com sobrepeso", afirma a coordenadora da Pastoral da Criança no Paraná, Clarice Siqueira dos Campos.
O uso do aparelho é uma ideia da Pastoral, mas foi disponibilizado pelo Ministério da Saúde. As lideranças de cada província (união de cinco dioceses) no Estado foram capacitadas para colocar este novo trabalho em prática. Segundo Clarice, todos os projetos da Pastoral de nível nacional começam no Paraná, que é o berço do trabalho.
"Uma vez por mês é feito o acompanhamento dessas crianças junto com uma nutricionista. O mais importante é que sendo acompanhada dessa forma, nós da Pastoral temos uma percepção se a criança terá no futuro problemas cardíacos, de hipertensão ou até mesmo diabetes. Isso é possível pelo assistência no desenvolvimento do bebê até os dois anos", explica.

Dobro
Outro desafio apontado por Clarice é chegar até as crianças que ainda não são atendidas pela Pastoral. Ela comenta que há pouco mais de um mês esteve em no Congresso Nacional e Internacional da Pastoral em Aparecida do Norte (SP), reunida com coordenadores de todas as dioceses do Brasil, além dos 21 países que adotaram o método.
"Traçamos como meta para 2014, ampliar o número de crianças atendidas, pois nossa preocupação é conscientizar as famílias sobre o futuros de todas as crianças. Para isso, precisamos buscar mais lideranças em cada comunidade. Precisamos de pessoas motivadas e que tenham o espirito missionário de servir o próximo", revela. Sobre a orientação, a coordenadora explica que são repassadas informações às famílias sobre alimentação saudável. "Avaliamos de que forma as crianças estão sendo alimentadas e esperamos em breve ter um indicador de quantas estão com sobrepeso", diz.
No Paraná, 48% (172.546) das crianças de 0 a 6 anos são atendidas pela Pastoral da Criança. No ultimo trimestre deste ano, o Estado atendeu diretamente 153.493 famílias, 171.546 crianças e 8.793 gestantes. Ao todo, são aproximadamente 50 mil lideranças, mas esse número ainda é considerando insuficiente. "Teríamos que ter o dobro para atingir a meta de 100% das crianças paranaenses", conclui.

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