Os debutantes da Expo 2008
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de abril de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Evento pra lá de tradicional, a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina está em sua 48 edição. Porém, sempre há espaço para estreantes, gente que, pela primeira vez, trabalha na feira ou se enche de coragem para andar em um brinquedo daqueles mais radicais do parque de diversões. Foi o caso do repórter da FOLHA, que está arrependido até agora de ter inventado de experimentar a adrenalina do ''Evolution''.
Antes porém vamos falar dos trabalhadores. É difícil achar alguém que atua pela primeira vez na Expo. Mas quando achamos... êta gente animada estes ''trabalhadores de primeira viagem''.
É o caso da consultora de acessórios Patrícia Janaína da Silva, 31 anos. Funcionária de uma concessionária de automóveis, ela faz a sua estréia na feira e deixa claro que está gostando da experiência, principalmente pela oportunidade de trabalhar mais descontraída.
''Por aqui o ritmo é de festa e atendemos todas as tribos. Tem os curiosos e aqueles que realmente estão interessados em comprar. É legal conversar com bastante gente'', explica a moça, esbanjando simpatia. Ela conta que já teve problemas com as bolhas no pé no primeiro dia. Agora providenciou um calçado mais confortável.
E por falar em vestimenta, o uniforme do garçom Paulo Cardoso, 30, constituído de camisa de manga comprida, avental e gravata, não parece muito confortável em pleno sol das 16 horas. Mais um ''marinheiro de primeira viagem'' na Expo Londrina, ele garante que não se incomoda com o calor. Está acostumado.
Paulo é de Avaré (SP). Conheceu os donos do restaurante para o qual está trabalhando em um evento realizado em sua cidade e aceitou o convite dos patrões para cair na estrada, pulando de feira em feira. Londrina é a terceira cidade pela qual ele passa desde que começou com esta sina cigana, e garante que está gostando da aventura.
Os garçons que trabalham nas barracas próximas ao recinto de shows e rodeios João Milanez são um caso à parte. A maioria deles, a exemplo de Paulo, vêm de outras cidades, são itinerantes. E não há salário, eles dependem dos famosos 10% para ganhar o trocado de cada dia. Para isso, é preciso praticamente pegar o cliente a laço, na base do corpo-a-corpo, convidando o povo para degustar as delícias oferecidas nas barracas.
Daí a explicação para a elegância do nosso personagem de Avaré: quanto mais apresentável melhor. E olha que os rapazes mal têm espaço para acomodar as roupas, pois ficam alojados em barracas. ''Dormimos em três em uma delas'', conta Paulo, emendando, com um certo encantamento, que o evento de Londrina é o maior que já viu.
Continuando na área gastronômica, tem um pessoal que veio de muito longe para trabalhar pela primeira vez na Exposição e causar água na boca dos visitantes. Uma turma de gaúchos, que conta até com um uruguaio, manda brasa em um churrasco de fogo de chão. Eles assam cordeiros e costela bovina. Um prato cheio para os amantes de um bom churrasco.
O líder da turma é o empresário Ary Scotto, 44, que veio do Rio Grande do Sul, há dois meses, para abrir churrascaria em Londrina. ''Resolvemos trabalhar na feira porque este é o nosso chão. O povo do Rio Grande é gente do campo'', resume. Para integrar o seu timaço de churrasqueiros, o empresário contratou só craques. Entre eles, Carlos Munhoz, 58, gaúcho de verdade, de bombacha nos pés e cuia de chimarrão na mão.
Munhoz é o responsável pelo churrasco, que é preparado lentamente. O fogo é acesso às 6 da manhã, antes do raiar do sol. O homem já rodou de sul a norte do Brasil churrasqueando. Até no exterior já provaram da sua habilidade para preparar carnes. Ele encantou os lords ingleses quando cuidou do cardápio da festa em comemoração aos 500 anos do descobrimento do Brasil, na embaixada brasileira, em Londres. Sobre a festa da qual agora participa na ''Pequena Londres'': ''É muito linda, muito bem organizada'', destaca o churrasqueiro.
Para finalizar, já que o tema da matéria é estreiantes da Expo, o repórter resolveu tomar coragem para andar pela primeira vez no ''Evolution'', um brinquedo que rodopia nas alturas deixando o pessoal de ponta cabeça. Pai Nosso... Gritos, medo, oração, palavrões. Ver o parque do alto e rodopiando não foi sensação das mais agradáveis. Primeira e última vez. Já os companheiros nessa aventura, Gabriel Rocha, 12; Matheus Fava, 12 e Matheus Rocha, 15, garantem que gostaram da aventura, apesar de gritarem feito doidos lá no alto.


