Os coretos não cabem mais em nossas cidades
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quarta-feira, 28 de novembro de 2001
Benedito Teles 
O coreto da Praça Frei Cristovão de Capinzal, no centro de Santo Antônio da Platina nos remete a outro tempo. No local não há nenhuma men ção sobre a inauguração do coreto, porém um placa ostenta datas e nomes. Em letras destacadas a placa revela que em 82 foi realizada uma remodelação, com recursos da Secretaria de Estado do Desenvolvimento dos Municípios do Estado do Paraná. Já se passaram quase 20 anos, a Secretaria não existe mais e, no jargão político, o termo remodelação foi substituído por revitalização e, em seguida, por recuperação.
Os platinenses apressados sequer reparam que há coreto, apenas desviam dele. Não é difícil imaginar o dia da inauguração: discursos pomposos e festividades devem ter sido realizados. Após o encerramento dos discursos inflamados e cumprimentos emocionados, um foguetório intenso deve ter anunciado para toda a comunidade a entrega da obra. Agora, só resta o coreto. Um coreto desbotado, com madeiras podres e buracos no teto.
Um coreto que, às vezes, é lembrado por um prefeito ou secretário da área cultural que utiliza o espaço para encenar alguma peça teatral, principalmente em épocas natalinas e no Ano Novo. Em uma enquete feita na praça ninguém se lembrou do período em que o coreto foi esquecido. Afinal, estavam todos apressados para chegar em algum local. Certamente, o espaço mais pacato e solitário de Santo Antônio da Platina está justamente no centro comercial da cidade, a alguns metros dos bancos, próximo a principal avenida e em frente à Igreja Matriz.
Todos os dias uma centena de pessoas circulam na área próxima ao coreto e a maior parte dos habitantes trafega ali ao menos um vez por mês, em meio aos pagamentos e as preces. Mas ninguém o vê. Sem uso, a não ser, por um punhado de pardais que o utilizam como poleiros, ele sobrevive. Como um refúgio do período em que as cidades não eram agitadas e havia tempo para ouvir bandas no centro da cidade. E as pessoas se orgulhavam de seus coretos.


