Os caos de todo dia
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terça-feira, 08 de maio de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Ruas movimentadas, falta de sinalização, crianças. Essa mistura pode ser bem perigosa, principalmente quando são crianças pequenas e muitas vezes andando sozinhas. Não precisa ser muito observador para notar que nos horários de entrada e saída dos colégios a situação fica muito caótica. A falta de atenção e de respeito dos motoristas, combinada com os pais que ainda insistem em parar em fila dupla ainda causam muitos acidentes.
A reportagem da FOLHA acompanhou a movimentação em torno de algumas escolas e flagrou várias situações de desrespeito e risco para as crianças. Na Zona Leste, a Escola Municipal Bartolomeu Gusmão fica próxima a um cruzamento bem complicado, entre a Rua Vasco da Gama e a Avenida São João. Ambas são de mão dupla, não há semáforo e mesmo com os quebra-molas atravessar qualquer umas das vias não é tarefa das mais simples.
A aposentada Waldomira Conceição Fernandes sabe bem quantos minutos perde diariamente, quando leva e busca a neta de oito anos no colégio. ''Todo dia a gente fica parado aqui. Faz muita falta um semáforo. Enquanto isso, eu venho todos os dias com ela, porque ainda é muito pequena para vir sozinha. Mas aproveito e já vou ensinando como se comportar, porque eles confiam na gente e não prestam muita atenção na hora de atravessar as ruas.''
O gerente Marco Antônio Tomaz também prefere acompanhar o filho, de 9 anos, até a escola. ''Enquanto eu puder trazer, vou vir com ele, independente da idade. Aqui falta um semáforo, é perigoso as crianças virem sozinhas'', observa. A mesma opinião tem Joice Maranho, analista comercial, que antes de ir trabalhar acompanha o filho, de oito anos, e reclama que muito do caos no local também é culpa dos pais. ''Eles param em cima da faixa de pedestres.''
Poucas foram as crianças que chegaram sozinhas à escola, mas a reportagem conversou com um garoto de 10 anos, que desde o semestre anterior precisa vir sozinho até o colégio, inclusive tendo de atravessar a São João próximo das 8 horas, quando o tráfego é mais intenso.
Castorina da Silva, funcionária da escola, conta que diariamente precisa colocar cones em cima da faixa de segurança, já meio apagada, para evitar que os pais parem e atrapalhem as crianças a atravessarem a rua.
Faixa elevada
Na Escola Municipal Joaquim Vicente de Castro, no Conjunto Anibal Siqueira Cabral (Zona Sul), o movimento também é grande. Localizado na Avenida Presidente Abraham Lincoln, tem como vizinha uma Unidade Básica de Saúde e por isso o fluxo de pedestres é intenso na via.
A microempresária Flávia Carolina Rodrigues todos os dias reserva alguns minutos para levar e buscar a filha de 6 anos na escola e também o filho de uma amiga. ''Não tem como deixar eles virem sozinhos, mesmo quando forem mais velhos. Se ainda a entrada fosse pela lateral da escola, talvez ajudasse um pouco, mas de qualquer maneira muitas pessoas precisam atravessar a avenida. O ideal mesmo é uma faixa elevada.''


