Os brasis, o catador e o lixo equilibrista
Enquanto um Brasil foi adquirindo hábitos globalizados com a abertura collorida dos portos, com os importados aportando nas gôndolas e espalhando sua influência modernosa em embalagens de todos os tipos, enquanto este Brasil foi surgindo em ilhas, mas ainda assim avassalador, produzindo lixo que não é lixo, enquanto este mesmo Brasil não foi adquirindo consciência ambiental na mesma medida que foi espalhando pelas ruas as sobras do seu consumismo, o outro Brasil foi se afundando na exclusão, procurando brechas no sistema para ganhar a vida. E os brasileiros saíram por aí e começaram a fazer a faxina seletiva na via pública para pagar suas contas. A profissão foi se tornando popular nas favelas e a concorrência foi derrubando os preços. Os carrinhos passaram a carregar cada vez com mais e mais carga. Seus condutores tentam, a todo custo, conquistar a liberdade com braço forte, mas o fardo é pesado demais, como mostra este exemplo no Jardim Leonor, Zona Oeste de Londrina. As rodas fraquejam, ameaçam sair do eixo e tornam, de vez, o caminho sinuoso.(Lúcio Flávio Moura)





