Os alunos de Londrina que desenvolveram a mão biônica
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terça-feira, 26 de março de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Quem assistiu ao filme "Eu, Robô", estrelado por Will Smith (2004), viu que o protagonista Del Spooner possuía um braço biônico que permitia que fizesse todas as atividades. Ficções científicas à parte, as próteses biônicas têm sido cada vez mais utilizadas por pessoas que sofreram amputações. No entanto, mesmo com os recentes avanços tecnológicos, são de difícil aquisição para pessoas com baixa renda. Uma mão biônica chega a custar R$ 150 mil. Foi pensando nisso que dois alunos do Ensino Médio de Londrina resolveram criar uma mão biônica, que utilizasse materiais alternativos com custo mai baixo, mas que tivesse a mesma eficiência que aquelas produzidas por empresas especializadas em próteses.
Das mentes de dois jovens com estilos aparentemente antagônicos surgiu um protótipo que pode revolucionar a vida de pessoas que necessitam de uma prótese. A versão feita pelos estudantes custou até agora R$ 350, mas com os próximos desenvolvimentos pode chegar a R$ 2 mil. Mesmo assim, muito abaixo do valor de outras próteses no mercado.
De um lado está a roqueira e guitarrista Cecília Valéria Feliciano, de 16 anos, aluna do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual José de Anchieta, frequentadora de cursinho pré-vestibular e entusiasta de bandas de rock como AC/DC e Metallica. De outro lado está o futebolista Elias Justino de Oliveira Junior, de 15 anos, do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Vicente Rijo e apreciador de Música Popular Brasileira, reggae e música sertaneja de raiz.
Os dois deixaram as diferenças musicais de lado e se concentraram na afinidade que possuíam, o gosto pela ciência. "Descobrimos que temos mais afinidades do que diferenças. Gostamos de filosofia, de música e de ciências", observou Cecília.
Ambos são alunos do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação de Londrina (NAAH/S Londrina) e desenvolveram várias versões de um protótipo de mão biônica sob a orientação do professor de Física Thiago Queiroz. Partindo de um projeto de um braço mecânico que Junior desenvolveu quando ainda estava no Ensino Fundamental, eles passaram a testar vários materiais, desde conduítes de fios elétricos, barbantes, isoladores de cercas elétricas, canos de plástico PVC, espuma vinílica acetinada (EVA), molas e até borrachas de silicone extraídas de leitores de DVD quebrados. "Eu fui influenciado pelo meu pai, que é mecânico e inventor. Desde os meus cinco anos eu fico mexendo com essas coisas", relatou o jovem, que quer cursar Engenharia Mecânica.
Já Cecília pretende estudar Engenharia Mecatrônica, de preferência em uma faculdade conhecida internacionalmente, como Harvard ou Yale.


