Londrina - Para dar conta de tantos pedidos nesta época do ano, Papai Noel costuma contar com o auxílio de ajudantes. Diversas pessoas vestem a camisa, ou melhor, o casaco e o gorro do bom velhinho e se empenham em arrecadar presentes e alimentos para fazer um Natal mais feliz para crianças e idosos.
O gerente comercial Paulo Sérgio Aversani e sua mulher, a professora Stelamary Ortega, há quatro anos mobilizam amigos e parentes para doarem brinquedos e alimentos para a festa de final de ano de uma creche na zona oeste de Londrina. O gesto de solidariedade, entretanto, já faz parte da rotina da família há muitos anos e ele conta que quando criança também recebia brinquedos doados por outras famílias.
"Lembro quando ganhamos um panetone, não era algo comum como agora, era praticamente só uma marca, um produto caro. Desde nosso tempo de pastoral, quando jovens, tínhamos o hábito de fazer doações. Depois passamos a adotar as cartinhas dos Correios, até que há quatro anos o pedido de uma cliente chamou minha atenção para outro lugar", conta Aversani.
Gerente de uma das lojas do Ponto Frio em Londrina, ele explica que a senhora queria desconto em uma geladeira, que seria doada para a creche. "Quis saber qual era a instituição que ela ajudava e passei a colaborar também."
Para fazer um Natal mais feliz para as 180 crianças atendidas pela entidade, a família arrecada doações em dinheiro e depois compra brinquedos iguais para as crianças, respeitando a faixa etária e o sexo. Para os pequenos brinquedos educativos ou bichos de pelúcia são a escolha. Meninas acima de 3 anos neste ano ganharão bonecas Barbie e os meninos um carrinho especial. "Fazemos questão que sejam brinquedos bons, que eles não ganhariam da família e que também sejam iguais, para não haver desapontamento de nenhum deles", justifica.
A rede de solidariedade conta com aproximadamente 80 voluntários e cresce a cada edição. "Gerentes de outras cidades nos ajudam, também lojistas daqui que fazem um preço mais barato nos brinquedos ou doam refrigerante, por exemplo. Neste ano também fizemos uma campanha para arrecadar brinquedos nas lojas, doados pelos clientes e por isso iremos ajudar uma outra creche. Muitas pessoas querem ajudar, mas não sabem como e acabam até nos agradecendo por termos essa iniciativa. Outros não têm tempo e é preciso dispor dele para conseguir organizar tudo, buscar as doações e até fazer a entrega", diz ele.
Com tanto tempo de convivência com as crianças, Aversani também já promoveu outras comemorações na entidade, como festa no Dia das Crianças, com direito a guloseimas, brinquedos infláveis e cama elástica. "Por que não fazer o que pode ser feito?", questiona.
Ele faz questão de ele mesmo entregar os brinquedos, devidamente vestido como Papai Noel, claro. As filhas do casal, Maria Eduarda, de 8 anos, e Maria Paula, de 4, ajudam o pai, sendo que a caçula ainda acredita que na verdade é o próprio bom velhinho que vai até a creche. Antes da festa as meninas colaboram separando e montando os kits de doce que são entregues junto com os presentes.
"Elas não pedem nenhuma bala e também nenhum brinquedo, porque sabem que são das crianças. Acreditamos que seja um ensinamento para as meninas, que inclusive já aprenderam a separar seus brinquedos para serem doados também", conta Stelamary.
O casal diz que, embora haja várias pessoas dispostas a ajudar, é comum receber "nãos". "Os nãos fazem parte. Mas para nós é um prazer fazer tudo isso, ir até lá e ver o sorriso das crianças. Fazer é uma forma de agradecimento por tudo que recebemos", destaca Aversani. Para este ano ele conta que está praticamente tudo pronto e que a festa de 2014 já está sendo preparada.

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