O primeiro carteiro de Londrina completou nesta semana 98 anos. Joaquim Diogo da Silva, conhecido como seu Nenê disse à reportagem que estava animado com a data, comemorada ontem. Ele contou um pouco da sua história e lembrou orgulhoso do cargo que começou a exercer em 1934, permanecendo na função por cerca de 10 anos. ''Eu ia de trem até Ourinhos buscar as cartas e parava de estação em estação para deixar as correspondências de cada localidade'', contou. Lúcido, Nenê disse que sente saudade daquela época ''quando as pessoas eram sérias. Hoje tem muito ladrão e eu fico triste com isso'', destacou.
Com alegria, ele disse que gostava de trabalhar como carteiro porque muita gente o conhecia e que nas horas vagas gostava de caçar e pescar. Pai de Carmem Lúcia, Ana Áurea, João Carlos e Rose Maria, Nenê foi responsável pela criação de seus nove irmãos. ''Todos cresceram, casaram e morreram e ele continua aqui com a gente, firme e forte'', disse a filha Carmem Lúcia da Silva de Antoni.
Apesar da idade, seu Nenê não deixa de aproveitar a vida e descreveu orgulhoso sua façanha em uma pescaria com os netos. ''Peguei um pirarucu de mais de cem quilos'', garantiu, sendo logo corrigido pela filha. ''O peixe tinha 22 quilos e foi pescado em um centro de pesca esportiva em Brasília, quando ele esteve lá em junho deste ano. Este é pescador até na hora de aumentar o tamanho do peixe'', brincou Carmem.
De acordo com ela, todos os dias ele toma dois ovos quentes e gosta de sair para caminhar na calçada. ''Me orgulho muito por tudo que ele é. Moro em Brasília e venho a cada dois meses para ajudar minha irmã a cuidar dele e também para matar a saudade'', afirmou. Ela disse que o pai tem o apelido desde que nasceu. ''Eu mesma só fui descobrir que ele se chamava Joaquim quando estava na escola'', destacou, contando que considera o pai uma ''enciclopédia viva''.
Ana Áurea da Silva Vanso é uma das filhas responsáveis pelos cuidados diários com seu Nenê. ''Estou sempre por perto, ele tem dificuldade para andar e temos medo dele cair. O dia a dia não é fácil, nem sempre ele está lúcido, mas vale a pena'', afirmou contando que o pai gosta de companhia e de contar as histórias do passado.
De acordo com Ana, a lista dos convidados da festa foi feita pelo próprio aniversariante que diz querer chegar aos 100 anos. ''Todos os anos fazemos uma festa e tem que ter muita bexiga porque ele gosta de estourá-las. Até aquela bexiga grande com doces e farinha dentro nós fazemos. Cada vez que ele estoura esta bexiga faz o pedido de mais saúde e vida'', destacou.
Com o propósito de fazer sempre o bem, seu Nenê, mesmo sem querer, está conseguindo dar continuidade a esta missão já que, para preparar sua festa de aniversário, a família uniu esforços para cuidar de todos os detalhes. ''Lembrancinhas e enfeites foram feitos pelas mulheres da família. Ficamos até a madrugada finalizando tudo para a festa de hoje (ontem) à noite'', contou Ana.

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