Curitiba - Dois jovens. Bonés, bermudas largas, agasalhos também. Estão na Rua XV de Novembro, no Centro. Andam entre as mesas de um bar, procurando alguém. Deixam à mostra as armas que levam na cintura. Em pouco tempo, a confusão está armada e as pistolas apontadas para a cabeça de outro homem. Felizmente nada acontece e os dois saem dali. Algumas ruas e seis minutos depois os dois são abordados pela Polícia Militar. A ação da dupla está filmada e garantiu o flagrante.
A cena descrita acima foi registrada por uma das 36 câmeras que monitoram o Centro de Curitiba. Quatorze delas já existiam na Rua XV desde 2001 e outras 22 foram instaladas no Centro e no Centro Histórico. Estas se juntam a outras seis câmeras instaladas no Parque Barigui e outras mais nas Ruas da Cidadania. No total, são 72 espalhadas por vários pontos da cidade.
Os novos ''olhos'' eletrônicos começaram a funcionar em março deste ano e foram responsáveis por registrar 1.230 ocorrências, que resultaram em 155 prisões. Os números são da Prefeitura de Curitiba, responsável pela instalação do equipamento.
As ocorrências variam desde crimes contra o patrimônio (vandalismo, pichação), passando por furtos e roubos, porte ilegal de armas, exploração sexual ou de menores, tráfico, posse ou consumo de drogas. A droga, aliás, é a responsável pelo maior número de casos registrados pelas câmeras, 258. A droga também causou o maior número de prisões. Desde de março, 99 pessoas foram detidas por uso ou tráfico de drogas. Do total de registros, 1.180 aconteceram na Região Central e outros 50 no Parque Barigui.
Para o Secretário da Defesa Social, Itamar dos Santos, as câmeras têm caráter preventivo, mas acabam servindo como arma de repressão e resultando e prisões. ''Praticamente não temos crimes como antes nos locais onde existem as câmeras. A redução foi muito grande'', comemora Santos, apesar de não apresentar números da redução.
Ainda de acordo com Santos, para comprar e instalar os novos equipamentos, o município teve de desembolsar R$ 3,9 milhões. Ele diz que a intenção da prefeitura é aumentar o perímetro de atuação do vigia eletrônico. Para isso, o município lançou o programa Investidor social, em que empresários podem doar a câmera para a prefeitura cuidar do monitoramento.
Comerciantes
Dalton Mendes Júnior, que há 16 anos tem uma banca de revista ao lado da Praça Tiradentes, diz que desde que as câmeras passaram a fazer parte da paisagem da praça, muita coisa mudou. ''A praça era uma espécie de 'cracolândia' de Curitiba. Todo mundo dava a volta mas não passava pela praça. Desde de que as câmeras foram instaladas, desapareceram os mendigos, os traficantes, os assaltantes, os marginais'', enumera. ''Hoje, a Praça Tiradentes recuperou o seu sentido. Idosos ficam sentados nos bancos, mulheres param para tomar sorvete. Agora, o fluxo de movimento é fantástico.'' O engraxate José Geraldo da Cruz, que há 13 anos trabalha no local, confirma. ''Antes a gente sempre era incomodado, agora está mais tranquilo.''

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