Os 72 olhos que guardam as ruas de Curitiba
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sábado, 27 de dezembro de 2008
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Dois jovens. Bonés, bermudas largas, agasalhos também. Estão na Rua XV de Novembro, no Centro. Andam entre as mesas de um bar, procurando alguém. Deixam à mostra as armas que levam na cintura. Em pouco tempo, a confusão está armada e as pistolas apontadas para a cabeça de outro homem. Felizmente nada acontece e os dois saem dali. Algumas ruas e seis minutos depois os dois são abordados pela Polícia Militar. A ação da dupla está filmada e garantiu o flagrante.
A cena descrita acima foi registrada por uma das 36 câmeras que hoje monitoram o Centro de Curitiba. Quatorze delas já existiam na Rua XV desde 2001 e outras 22 foram instaladas no Centro e no Centro Histórico. Estas se juntam a outras seis câmeras instaladas no Parque Barigüi e outras mais nas Ruas da Cidadania. No total, são 72 espalhadas por vários pontos da cidade.
Os novos "olhos" eletrônicos começaram a funcionar em março deste ano e, de lá para cá, foram responsáveis por registrar 1.230 ocorrências. Estas resultaram em 155 prisões. Os números são da Prefeitura Municipal de Curitiba, responsável pela instalação do equipamento.
As ocorrências variam desde crimes contra o patrimônio (vandalismo, pichação), passando por furtos e roubos, porte ilegal de armas, exploração sexual ou de menores, tráfico, posse ou consumo de drogas. A droga, aliás, é a responsável pelo maior número de casos registrados pelas câmeras, 258. A droga também causou o maior número de prisões. Desde de março, 99 pessoas foram detidas por uso ou tráfico de drogas. Do total de registros, 1.180 aconteceram na região central e outros 50 no Parque Barigüi.
As câmeras resultaram ainda em cinco prisões por furto, além de prisões por encaminhamento de foragido da Justiça, tentativa de furto, desacato e ameaça. As prisões foram efetuadas por policiais militares (25 delas) e por equipes da Guarda Municipal (130 prisões).
Para o Secretário da Defesa Social, Itamar dos Santos, as câmeras têm a função de prevenir o crime. Mesmo com o caráter preventivo, o equipamento acabou servindo como arma de repressão e resultando e prisões, diz o secretário. "Praticamente não temos crimes como antes nos locais onde existem as câmeras. A redução foi muito grande", comemora Santos. Ele, no entanto, não tinha números da redução.
Ainda de acordo com Santos, os efeitos positivos da medida de segurança tiveram um custo alto para os cofres da prefeitura. No total, para comprar e instalar os novos equipamentos, o governo municipal teve de desembolsar algo em torno de R$ 3,9 milhões. Cada câmera custa entre R$ 16 e 18 mil, de acordo com o secretário.
Santos diz que a intenção da prefeitura de Curitiba é aumentar o perímetro de atuação do vigia eletrônico. Para isso, o município lançou o programa batizado de Investidor social, em que empresários podem doar a câmera para a prefeitura cuidar do monitoramento. As câmeras protegem o patrimônio público e privado, garantido a tranqüilidade de todos. "Curitiba, hoje, é uma cidade mais segura", acredita o secretário.


