Os ortopedistas do Hospital Evangélico e da Santa Casa de Londrina voltam ao trabalho hoje, depois de quase um mês paralisados. Após uma reunião com a diretoria da Santa Casa, na tarde de ontem, a categoria decidiu retomar os atendimentos de urgência e emergência para ceder à pressão do Ministério Público, que pretendia a substituição dos médicos caso fosse mantida a greve.
Segundo o ortopedista Vanderlei Montemor Bernardo, que atende na Santa Casa e no Evangélico, ''os médicos foram solidários aos hospitais e decidiram reassumir os plantões, com ressalvas, mesmo que os objetivos não tenham sido alcançados''. ''O recurso repassado pela Prefeitura está aquém da nossa expectativa. Além disso, os hospitais não têm ortopedistas contratados pelo Município para fazer ambulatório, que não compete a nós, que trabalhamos só em casos de urgência e emergência.''
Os médicos pleiteam, além de um fixo que remunera o plantão à distância, a contratação de mais profissionais para dar seguimento aos atendimentos em ambulatório. Eles querem ainda o adicional referente ao pagamento de internamentos de urgência e emergência que era repassado pelo Minstério da Sa© úde, por meio da Prefeitura, mas que foi interrompido pelo Município.
''Resolveria grande parte do problema se o governo estadual investisse na contratação de médicos para o Hospital da Zona Norte, que atenderia em esquema de plantão 24 horas os casos de ambulatório e liberaria os casos mais graves para os hospitais terciários, caso da Santa Casa e do Evangélico'', sugeriu Vanderlei Bernardo, assinalando que os ortopedistas ameaçam uma nova paralisação caso as reivindicações não sejam atendidas dentro de 90 dias.
De acordo com a diretora executiva da Secretaria de Sa© úde de Londrina, Marlene Zucolli, o recurso repassado aos hospitais - R$ 25 mil ao Evangélico e R$ 30 à Santa Casa - foram determinados durante uma reunião com a direção dos hospitais, representantes do Conselho Regional de Medicina e da Associação Médica de Londrina. ''Os valores foram calculados a partir do número médio de chamadas realizadas pelos hospitais, que chegam a 1,3 mil por mês, e pelo número de leitos que os hospitais disponibilizam ao SUS. Chegou-se à média de R$ 40 por procedimento, valor equivalente ao que é pago pelos convênios.''
Segundo ela, os ortopedistas também ganham por procedimento realizado, como colocação de gesso ou cirurgia. ''Esta quantia é o que é possível passar nesse momento.'' Ainda conforme a diretora, o Município irá conversar com a direção dos hospitais ''para ver o que dá para fazer em relação às outras solicitações dos ortopedistas''.
Para o superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad, a paralisação dos ortopedistas é decorrente da falta de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), que está 100% defasado. ''Vamos agilizar as negociações junto ao Ministério da Saúde e à Prefeitura para tentar apresentar uma resposta aos médicos nos próximos 90 dias.''

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